<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473</id><updated>2012-02-16T08:42:16.641-08:00</updated><category term='Música'/><category term='Filosofia'/><category term='Conto'/><category term='Cinema'/><category term='Literatura'/><category term='Crônica'/><title type='text'>Paisagem Útil</title><subtitle type='html'>NA GELÉIA GERAL BRASILEIRA QUE O JORNAL DO BRASIL ANUNCIA</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://paisagemutil.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>27</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-167043382960691832</id><published>2009-11-22T10:50:00.000-08:00</published><updated>2009-11-22T10:57:05.918-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Minha humilde nudez</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando eu envelhecer, só andarei nu pela casa vazia. Agora, não. Porque, embora eu tenha nascido no tempo das chacretes, do “amor livre” e da arte moderna, a nudez ainda provoca mal-estar social. Não é todo mundo que consegue se desvencilhar, da noite pro dia, de seu &lt;em&gt;lifestyle&lt;/em&gt;. Afinal, é a identidade de muitos eus que está em jogo. Mas eu conseguirei! Desprezarei o despojamento do &lt;em&gt;jeans&lt;/em&gt; e o estilo casual das &lt;em&gt;t-shirts&lt;/em&gt;; recusarei o conforto do tênis &lt;em&gt;shox&lt;/em&gt; e a elegância dos sapatos sociais. Nada de acessório, utensílios e penduricalhos. A nudez pura e simplesmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até lá, a arquitetura e a engenharia conspirarão a favor deste desejo. Os prédios serão enfileirados, qual um exército napoleônico, a fim de atender à máxima dos profissionais destas áreas: “Pouca fresta, pouco espaço”. Ou seja, não haverá quem denuncie os meus atos, pois não haverá a &lt;em&gt;polis&lt;/em&gt;, não haverá ruas do Rio nem ruas de João. A cidade será composta de prédios e mais prédios, lado a lado, frente a frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o caro leitor quiser ir da ex-Rua do Ouvidor à ex-Praça Tiradentes, terá duas opções: pegar um metrô, que continuará funcionando normalmente debaixo da terra, ou ir a pé. Na verdade, tal transporte não se assemelhará em nada com aquele costumeiro passar de pernas. Trata-se de um elevador cilíndrico, análogo às manilhas de esgoto atuais, mas muito mais sofisticado, por onde nós seremos transportados do Edifício do Ouvidor até o Edifício Tiradentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, é bom alertá-lo que nem todos precisarão participar deste périplo. A locomoção ficará restrita a uma espécie de neoproletariado, composta, em sua maioria, pelos entregadores de pizzas, chocolates, remédios, drogas e afins. O senhor ou a senhora, que provavelmente pertencerá à classe dos abastados, não sairá de sua residência para fazer absolutamente nada. Alimentação, saúde, trabalho, lazer, compras? Tudo feito virtualmente, em nome da praticidade. Ora, mas e a reprodução? É só escolher, via &lt;em&gt;web&lt;/em&gt;, o embrião que mais lhe apetece, todos embalados hermeticamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O progresso será o redentor da nossa nudez. Seremos verdadeiramente livres, pois poderemos voltar ao tão questionado “estado de natureza”, sem precisarmos, no entanto, sujeitar à nossa liberdade a liberdade do outro. Viveremos, enfim, em harmonia plena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para isto ocorrer, a realidade social será travestida em &lt;em&gt;reality show&lt;/em&gt;. As telas se multiplicarão feito coelhos insaciáveis. A casa inteira será composta de câmeras com telas, tevês com telas, computadores com telas, telefones com telas, relógios com telas e, o maior avanço tecnológico, privadas com telas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossos erros e acertos passarão pelo crivo de algo que estará acima de nós. O acaso perecerá. Mas, pensando bem, essa Coisa Maior, sem vínculo divino, senhora de todas as telas, pode desaprovar a minha nudez. E, se assim o for, quando os pêlos das narinas engrossarem e os do peito, que demorei tanto tempo para cultivar, resolverem cair, quando os fios acinzentados pousarem sobre a minha cabeça e, por fim, quando meu corpo e minha visão começarem a fraquejar ao som das batucadas da vida, aí será tarde demais para a minha humilde nudez. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-167043382960691832?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=167043382960691832' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/167043382960691832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/167043382960691832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2009/11/minha-humilde-nudez.html' title='Minha humilde nudez'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-2568663498926023942</id><published>2009-11-11T03:58:00.000-08:00</published><updated>2009-11-11T04:07:17.952-08:00</updated><title type='text'>Lula faz política culta e com arte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Por José Celso Martinez Corrêa, em 10/11/2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje temos pela primeira vez na nossa história um corpo concreto de potencialização da cultura brazyleira: o Ministério da Cultura, e isso seu atual Ministro soube muito bem fazer, um CQD em seu texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, meu adorado Poeta Caetano, como sempre, me surpreendeu na sua interpretação de Lula como analfabeto, de fala cafajeste, abrindo seu voto para Marina Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós temos muitas vezes interpretações até gêmeas, mas acho caetanamente bonito nestes tempos de invenção da democracia brazyleira, que surjam perspectivas opostas, mesmo dentro deste movimento que acredito que pulsa mais forte que nunca no mundo todo, a Tropicália.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi isso ao prefaciar a tradução em português crioulo = brazyleiro do melhor livro, na minha perspectiva, claro, escrito sobre a Tropicália: Brutality Garden, Jardim Brutalidade, de Chris Dunn, professor de literatura Brazyleira, na Tulane University de New Orleans.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho, diferentemente de Caetano, que temos em Lula o primeiro presidente antropófago brazyleiro, aliás Lula é nascido em Caetés, nas regiões onde foi devorado por índios analfabetos o Bispo Sardinha que, segundo o poeta maior da Tropicália, Oswald de Andrade, é a gênese da história do Brazil. Não é o quadro de Pedro Américo com a 1ª Missa a imagem fundadora de nossa nação, mas a da devoração que ninguém ainda conseguiu pintar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula começou por surpreender a todos quando, passando por cima das pressões da política cultural da esquerda ressentida, prometeica, nomeou o Antropófago Gilberto Gil para Ministro da Cultura e Celso Amorim, que era macaca de Emilinha Borba, para o Ministério das Relações Exteriores, Marina Silva para o Meio Ambiente e tanta gente que tem conquistado vitórias, avanços para o Brasil, pelo exercício de seu poder-phoder humano, mais que humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Phoderes que têm de sambar pra driblar a máquina perversa oligárquica, podre, do Estado brasileiro. Um estado oligárquico de fato, dentro de um Estado Republicano ainda não conquistado para a "res pública". Tudo dentro de um futebol democrático admirável de cintura. Lula não pára de carnavalizar, de antropofagiar, pro País não parar de sambar, usando as próprias oligarquias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula tem phala e sabedoria carnavalesca nas artérias, tem dado entrevistas maravilhosas, onde inverte, carnavaliza totalmente o senso comum do rebanho. Por exemplo, quando convoca os jornalistas da Folha de S. Paulo a desobedecer seus editores e ouvir, transmitindo ao vivo a phala do povo. A interpretação da editoria é a do jornal e não a da liberdade do jornalista. Aí , quando liberta o jornalista da submissão ao dono do jornal, é acusado de ser contra a liberdade de expressão. Brilha Maquiavel, quando aceita aliança com Judas, como Dionísios que casa-se com a própria responsável por seu assassinato como Minotauro, Ariadne. É realmente um transformador do Tabu em Totem e de uma eloquência amor-humor tão bela quanto a do próprio Caetano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa sabedoria filosófica reflete-se na revolução cultural internacional que Lula criou com Celso Amorim e Gil, para a política internacional. O Brasil inaugurou uma política de solidariedade internacional. Não aceita a lógica da vendetta, da ameaça, da retaliação. Propõe o diálogo com todos os diabos, santos, mortais, tendo certa ojeriza pelos filisteus como ele mesmo diz. Adoro ouvir Lula falar, principalmente em direto com o público como num teatro grego. É um de nossos maiores atores. Mais que alfabetizado na batucada da vida, lula é um intérprete dela: a vida, o que é muito mais importante que o letrismo. Quantos eruditos analfabetos não sabem ler os fenômenos da escrita viva do mundo diante de seus olhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu abro meu voto para a linha que vem de Getúlio, de Brizola, de Lula: Dilma, apesar de achar que está marcando em não enxergar, nisto se parece com Caetano, a importância do Ministério da Cultura no Governo Lula. Nos 5 dedos da mão em que aponta suas metas, precisa saber mais das coisas, e incluir o binômio Cultura &amp;amp; Educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a Marina Silva, quando eu soube que se diz criacionista, portanto contra a descriminalização do aborto e da pesquisa com células-tronco, pobre de mim, chumbado por um enfarte grave, sonhando com um coração novo, deixei de sequer imaginar votar nela. Fiz até uma cena na Estrela Brasyleira a Vagar - Cacilda!! para uma personagem, de uma atriz jovem contemporânea que quer encarnar Cacilda Becker hoje, defendendo este programa tétrico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto muito de Dilma, como de Caetano, onde vou além do amar, vou pra Adoração, a Santa adorada dos deuses. Acho a afetividade a categoria política mais importante desta era de mudanças. "Amor Ordem e Progresso." O amor guilhotinado de nossa bandeira virou um lema Carandiru: Ordem e Progresso, só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apreendi no livro de Chris Dunn que os americanos chamam esta categoria de laços homossociais, sem conotação direta com o homoerotismo, e sim com o amor a coisas comuns a todos, como a sagração da natureza, a liberdade e a paixão pelo amor energia, santíssima eletricidade. Sinto que nessas duas pessoas de que gosto muito, Caetano e Dilma, as fichas da importância cultural estratégica, concreta, da Arte e da Cultura, do governo Lula, ainda não caíram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A própria pessoa de Lula é culta, apesar de não gostar, ainda, de ler. Acho que quando tiver férias da Presidência vai dedicar-se a estudar e apreender mais do que já sabe em muitas línguas. Até hoje ele não pisou no Oficina. Desejo muito ter este maravilhoso ator vendo nossos espetáculos. Lula chega à hierarquia máxima do teatro, a que corresponde ao papa no catolicismo: o palhaço. Tem a extrema sabedoria de saber rir de si mesmo. Lula é um escândalo permanente para a mente moralista do rebanho. Um cultivador da vida, muito sabido, esperto. Não é à toa que Obama o considera o político mais popular do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caetano vai de Marina, eu vou de Dilma. Sei que como Lula ela também sente a poesia de Caetano, como todos nós, pois vem tocada pelo valor da criação divina dos brazyleiros. Essa "estasia", Amor-Humor, na Arte, que resulta em sabedoria de viver do brasileiro: Vida de Artista. Não há melhor coisa que exista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula faz política culta e com arte. Sabe que a cultura de sobrevivência do povo brasileiro não é super, é infra estrutura. Caetano sabe disso, é uma imensa raiz antenada no rizoma da cultura atual brazyleira renascente de novo, dentro de nós todos mestiços brazyleiros. Fico grato a Caetano ter me proporcionado expor assim tudo que eu sinto do que estamos vivendo aqui agora no Brasil, que hoje é um país de poesia de exportação como sonhava Oswald de Andrade, que no Pau Brasil, o livro mais sofisticado, sem igual brazyleiro canta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vício na fala&lt;br /&gt;Pra dizerem milho dizem mio&lt;br /&gt;Pra melhor, dizem mió&lt;br /&gt;Para telha, dizem teia&lt;br /&gt;Para telhado, dizem teiado&lt;br /&gt;E vão fazendo telhado"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SamPã, 6 de novembro, sob o signo de escorpião, sexo da cabeça aos pés, minha Lua de Ariano, evoéros!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Texto originalmente publicado no jornal O Estado de S.Paulo e extraído do site www.vermelho.org.br&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-2568663498926023942?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=2568663498926023942' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/2568663498926023942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/2568663498926023942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2009/11/lula-faz-politica-culta-e-com-arte.html' title='Lula faz política culta e com arte'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-6597465670865481954</id><published>2009-10-10T20:29:00.000-07:00</published><updated>2009-10-16T20:18:34.558-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Fósseis do totalitarismo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A América Latíndia, lugar fictício descrito pelo escritor Ignácio de Loyola Brandão no romance “Zero”, cuja instabilidade socioeconômica e o regime autoritário integravam um mosaico tragicômico, assemelha-se, vez e outra, com a nossa América Latina. Aqui, os ideais reacionários, aparentemente cadavéricos, ressurgem das profundezas, exortados pela grande mídia dos trópicos, a fim de servirem de alegoria a um infindável baile momesco. Na atual conjuntura, o golpe de Estado perpetrado em Honduras, embora não tenha agradado à comunidade internacional, foi ovacionado pela imprensa tupiniquim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nenhuma novidade neste fato. Pois, como bem analisou o colunista Mauricio Dias (Carta Capital, 2/9/2009), o professor aposentado de teoria política da UFRJ Wanderley Guilherme dos Santos, renomado cientista político, já havia dito que “a exemplo de toda a imprensa, denominada grande, latino-americana, jamais hesitou em apoiar todas as tentativas de golpe de Estado, quando estas significavam a derrubada de presidentes populares ou o fechamento de congressos de inclinação mais democrática”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, esta foi justamente a atitude tomada por diversos veículos diante da instauração, no último dia 28 de julho, de um governo militar em Honduras, sob o comando de Roberto Micheletti, e da consequente deposição do presidente José Manuel Zelaya. A revista &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt;, por exemplo, ainda que seja dissimulada no que diz respeito à sua função social, não poupou esforços para evidenciar o seu caráter ultra-conservador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O império (contra)ataca&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na capa da edição do dia 30 de setembro, a revista semanal da editora Abril exibiu a seguinte manchete: “O Imperialismo Megalonanico”, em referência ao asilo dado pela embaixada brasileira em Tegucigalpa ao presidente Zeleya. Segundo a &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt;, agindo desta forma, o Brasil, supostamente instigado pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, estaria contrariando sua “tradição diplomática”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio às linhas grotescas da matéria de capa, o leitor pode se deparar com vaticínios do tipo: “Com as eleições marcadas para o próximo dia 29 de novembro, o governo interino [leia-se, ditadura] que derrubou Zelaya se preparava para reconduzir o país à normalidade democrática”. Coincidentemente, este fora o mesmo discurso utilizado pelos generais brasileiros – e largamente difundido pela imprensa – na ocasião do golpe de 1964 que, talvez por força do destino, perdurou até 1985.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apoiando-se na Constituição hondurenha, cujo artigo 374 torna inválido qualquer plebiscito ou referendo que possibilite a renovação do mandato presidencial, os golpistas acusam Manuel Zelaya de tentativa de continuísmo. Para o professor de direito constitucional da PUC-SP Pedro Estevam Serrano, em artigo publicado na &lt;em&gt;Folha de S.Paulo&lt;/em&gt; (30/9/2009), “Zelaya tem afirmado que sua proposta é de possibilitar a reeleição de futuros presidentes, e não dele próprio. Assim, ele não teria apoiado, promovido ou incitado o continuísmo do atual presidente – ele próprio”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvo raras exceções, o importante papel desempenhado pelo governo Lula na geopolítica mundial tem recebido total desprezo pela mídia. A boa desenvoltura do País diante de uma das piores crises econômicas dos últimos anos, a astuciosa política externa, que inclui o caso de Honduras, com vistas a adquirir uma vaga no Conselho de Segurança da ONU e, sobretudo, as transformadoras, embora insuficientes, ações sociais de nada valem aos megalonanicos oligarcas das comunicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imprensa nativa tem todo o direito de ter opiniões e preferências políticas. O problema é que, conforme afirmara Wanderley Guilherme, “há muito da realidade que não está na imprensa e há muito do que está na imprensa que não está na realidade”. Resta saber se, a exemplo do país da América Central, os arqueólogos-verde-e-amarelo têm como meta a procura, incansável, de fósseis do totalitarismo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;* Texto publicado no Observatório da Imprensa&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-6597465670865481954?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=6597465670865481954' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/6597465670865481954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/6597465670865481954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2009/10/fosseis-do-totalitarismo.html' title='Fósseis do totalitarismo'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-129633310143324992</id><published>2009-07-31T05:23:00.000-07:00</published><updated>2009-10-10T20:58:16.893-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Todos dançam a mesma dança</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SnLkzXO_kBI/AAAAAAAAAM8/CydxUzpE5dg/s1600-h/jose_sarney.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 160px; FLOAT: left; HEIGHT: 207px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364601677213044754" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SnLkzXO_kBI/AAAAAAAAAM8/CydxUzpE5dg/s400/jose_sarney.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;O presidente do Senado, escritor, membro da Academia Brasileira de Letras e latifundiário, José Sarney (PMDB-AP), é uma figura importante neste Brasil varonil. Enquanto alguns políticos contemporâneos, assim como alguns cidadãos, desdenham o passado e o futuro – preferem ficar entrevados em um presente insosso, preocupando-se tão-somente com o hoje e a eterna jovialidade –, ele, ao contrário, além de se manter fiel às suas origens, é agente passivo e, amiúde, ativo da sucessão de fatos que compõem a história do País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, a fidelidade nem sempre foi o seu forte. Em 1965, o “Zé do Sarney”, como fora alcunhado no Maranhão, seu habitat natural, trocou o nome de batismo, José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, por José Sarney de Araújo Costa. A permuta fora efetuada para fins eleitorais. Provavelmente, acreditava-se que José Sarney seria um nome de maior impacto político. Alguém duvida? Basta ler os jornais, sites, blogs, twiters – o mais recente grunhido democrático – e afins ou ver a tevê para constatar a veracidade desta afirmação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação do presidente do Senado com a mídia tupiniquim é outra página importante da biografia deste quase octogenário. Mesmo sendo um homem íntegro e preocupado com o povo maranhense, às vezes comete pequenos deslizes aqui e acolá, que não agradam sua vedete. O controle das concessões públicas de comunicação é um bom exemplo desta relação de amor e ódio. É sabido que o jornal &lt;em&gt;O Estado do Maranhão&lt;/em&gt; e a TV Mirante – afiliada da Rede Globo –, dois grandes veículos de comunicação, pertencem à família Sarney. Vale ressaltar que a lei 4.117/62 proíbe o uso de emissoras de televisão para fins políticos, já que as mesmas são concessões públicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No presente momento, é notório que o casório esteja em crise. Segundo alguns analistas, o imbróglio iniciou-se após a pulada de cerca derradeira; para outros, tudo não passou de vaidade feminina: a amada não recebeu a gratificação esperada. Mas, diferentemente das outras desavenças, ao que tudo indica, desta vez, não tem volta. A mídia está, conforme a gíria corrente, “bolada”. &lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt; vem manifestando há algumas semanas seu descontentamento com a série de reportagens sob o título “O congresso mostra suas entranhas”. Já o jornal &lt;em&gt;Folha de S. Paulo&lt;/em&gt; optou por uma designação mais simples: “Congresso em crise”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, tanto a “crise do Senado” como a tentativa de se criar uma CPI para investigar possíveis desvios de conduta da Petrobras são sintomas de um adultério. A grande imprensa brasileira, desde a eleição presidencial de 2002, mantém relações fogosas com a oposição. É claro que ela nunca amou verdadeiramente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porém, o que era inicialmente uma singela dor de cotovelo transformou-se em psicose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez, o maior ressentimento para com o governo atual esteja relacionado com a criação de mitos-midiáticos. Ora, quem poderia esquecer o mito da jovialidade, encarnado pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello; ou, ainda, o mito da intelectualidade, encarnado pelo sociólogo e também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ambos, assim como o personagem Ronaldo, o Fenômeno (outrora Ronaldinho) e o falecido rei do pop Michael Jackson, foram forjados por um artesão que, apesar da indubitável habilidade, mostrou-se incapaz de mitificar o operário ou, se preferir, “o sapo barbudo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a personalidade de José Sarney não seja mítica – afinal, ele é apenas um patriarca –, sua derrocada o será. Se o leitor permitir, gostaria de fazer uma analogia um tanto forçada entre ele e o rei do pop. Ambos ganharam visibilidade e receberam as honrarias destinadas ao rei-filósofo. Ambos envolveram-se em escândalos, picuinhas e inúmeros “mal-entendidos”. Ambos, tal qual a mídia brasileira, dançam a mesma dança: &lt;em&gt;moonwalker&lt;/em&gt;, cujos passos para trás impossibilitam o fluxo da História. Mas as semelhanças param por aí. Michael Jackson morreu, ainda que os fãs-fundamentalistas afirmem o contrário; José Sarney, estando ou não no Congresso, é imortal, menos pela função de literato do que a de oligarca. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;em&gt; Texto publicado no Observatório da Imprensa&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-129633310143324992?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=129633310143324992' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/129633310143324992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/129633310143324992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2009/07/jose-sarney-midia-e-michael-jackson.html' title='Todos dançam a mesma dança'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SnLkzXO_kBI/AAAAAAAAAM8/CydxUzpE5dg/s72-c/jose_sarney.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-7012781551551229966</id><published>2009-06-26T07:03:00.000-07:00</published><updated>2009-10-10T21:34:21.137-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>Clube da Esquina: de Minas para o Mundo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SkTYb4yxiuI/AAAAAAAAAMs/kFyG11865Ow/s1600-h/y1pIyJ-5Z6OAb5v6TJvdkN7UdaTyBO246G6HX8n3wSebqWBQGRPTdzFcsmqTUspdna9Ny7nY3Ahv2c.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 233px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351640230836407010" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SkTYb4yxiuI/AAAAAAAAAMs/kFyG11865Ow/s320/y1pIyJ-5Z6OAb5v6TJvdkN7UdaTyBO246G6HX8n3wSebqWBQGRPTdzFcsmqTUspdna9Ny7nY3Ahv2c.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As riquezas da cultura brasileira são oriundas de todas as regiões do País. Nas décadas de 1960 e 1970, embora muitos artistas tenham migrado para o eixo Rio-São Paulo – pois era onde se concentravam os festivais de música, as emissoras de rádio e os incipientes canais de TV –, a Música Popular Brasileira constituía-se num primoroso mosaico. A gaúcha Elis Regina, os baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil e o paulista-carioca Chico Buarque são só alguns dos exemplos mais evidentes. Mas a terra dos inconfidentes também estivera bem representada. Sorrateiro e sereno como um bom mineiro, o Clube da Esquina, encabeçado por Milton Nascimento, mostrou ao mundo a genialidade da gente brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que possa parecer, o Clube da Esquina não existia enquanto espaço físico: tratava-se tão-somente de uma esquina entre as ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte. De dia, as crianças ali brincavam; à noite, os jovens tocavam suas violas, tomavam batidas de limão, namoravam e não deixavam os sonhos envelhecerem – mesmo com a crescente repressão do regime militar, instaurado com um golpe de estado em 1964.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do já citado cantor e compositor Milton Nascimento, o clube possuía outros “associados”, como os irmãos Márcio e Lô Borges, o compositor Fernando Brant, o multi-instrumentista Beto Guedes, os músicos Wagner Tiso e Toninho Horta, dentre outros. Cada um desses indivíduos é responsável, de alguma forma, pela concretização do “movimento” mineiro. Na verdade, é importante ressaltar que, diferentemente do movimento tropicalista ou das manifestações artísticas ligadas ao CPC (Centro Popular de Cultura) da UNE, o Clube da Esquina não possuía um manifesto, propostas políticas, objetivos bem delineados ou qualquer outra característica comum aos movimentos artísticos daquele período. Contudo, isto não o torna menor, pois fora justamente com este posicionamento aparentemente “descompromissado” que eles confrontaram a realidade latino-americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se dizer que o embrião do Clube crescera paralelamente à amizade entre Bituca – como Milton era chamado pelos amigos – e Márcio Borges. Depois de assistirem a inúmeras sessões do filme &lt;em&gt;Jules et Jim&lt;/em&gt;, de François Truffaut, os dois foram à casa da família Borges iniciar uma parceria que duraria anos. Daquele encontro nasceriam canções como "Crença", "Irmão de Fé" e "Gira, girou", que entrariam no primeiro disco de Milton, gravado em 1967. Já a parceria com Fernando Brant ocorre de maneira diferente. Milton havia composto uma canção e não sabia quem deveria pôr a letra. Assim, decide que Fernando seria a pessoa ideal para, através das palavras, expressar o que ele queria dizer com a música. Depois de muito hesitar, Fernando Brant escreve a bela "Travessia" – última palavra do livro &lt;em&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/em&gt;, de Guimarães Rosa, e, até hoje, uma das canções mais conhecidas de Milton Nascimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1972, o Clube da Esquina sairia de Minas Gerais para o mundo. Milton Nascimento, já conhecido nacional e internacionalmente, convidara o, então, menino Lô Borges para gravar um disco. Juntaram-se à empreitada, além dos músicos aqui citados, Eumir Deodato, Nelson Ângelo e Ronaldo Bastos. A “sede” do clube fora, temporariamente, transferida da esquina para uma casa na Praia de Piratininga, em Niterói (RJ). Lá, a heterogeneidade dos participantes, com influências que iam desde o jazz de Miles Davis até o rock dos Beatles, faria da gravação do álbum &lt;em&gt;Clube da Esquina&lt;/em&gt; uma verdadeira oficina de experimentação poético/musical. A princípio, a crítica não entendera o caráter inovador do projeto. Todavia, hoje, os dois discos do Clube – posteriormente foi gravado o segundo, em 1978 – são reconhecidos mundialmente como clássicos da música brasileira. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-7012781551551229966?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=7012781551551229966' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/7012781551551229966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/7012781551551229966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2009/06/clube-da-esquina-de-minas-para-o-mundo.html' title='Clube da Esquina: de Minas para o Mundo'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SkTYb4yxiuI/AAAAAAAAAMs/kFyG11865Ow/s72-c/y1pIyJ-5Z6OAb5v6TJvdkN7UdaTyBO246G6HX8n3wSebqWBQGRPTdzFcsmqTUspdna9Ny7nY3Ahv2c.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-1984167909936713827</id><published>2009-06-18T07:35:00.000-07:00</published><updated>2009-12-09T13:51:26.652-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>De Michelangelo Antonioni, O Deserto Vermelho (Il Deserto Rosso, 1964)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SjpSpfK_CAI/AAAAAAAAAMc/HkpUbxGVks4/s1600-h/105274.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 144px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5348678380151572482" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SjpSpfK_CAI/AAAAAAAAAMc/HkpUbxGVks4/s200/105274.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; O paradoxo manifesta-se na sequência inicial de &lt;em&gt;O Deserto Vermelho&lt;/em&gt; (1964). Giuliana (Mônica Vitti) passeia com o seu filho pela paisagem industrial. Ruído. O verde da sua roupa contrasta brutalmente com as cores cinzentas e mortas de Ravenna. Ruído. O silêncio, suprimido pelo som inarmônico do maquinário, surge não como complemento dialético da palavra, mas, ao contrário, como ausência e escassez desta. Novamente, a incomunicabilidade, uma das problemáticas contemporâneas, está presente nesta obra do genial cineasta italiano Michelangelo Antonioni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio, trata-se de uma crítica à modernidade que, além de ser uma das geradoras dos problemas existenciais da protagonista, não consegue – ou não pretende – coexistir com o meio ambiente. Contudo, uma análise atenciosa mostra-nos que a principal preocupação do diretor consiste em, como nos filmes anteriores, interpretar as relações interpessoais e os embates travados e dissecar o caráter, a psicologia e as neuroses da personagem retratada. “Giuliana é neurótica, evidentemente. Mas devo dizer que não é esse meio industrial e moderno que provoca a neurose. Ela já existia nessa mulher, não se sabe onde ela se originou. O meio provoca a eclosão dessa crise”, dissera à época Antonioni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse modo, apesar de sabermos que Giuliana sofreu um acidente, não há descrições ou explicações do ocorrido. Sabemos, também, que ela padece de uma doença, mas não se sabe a patologia. Caímos, assim, na velha dicotomia do tudo/nada. Giuliana é a angústia que sentimos pela incapacidade de traduzi-la, é a esfinge que exige respostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que pudéssemos decifrar o enigma proposto, seria necessária a presença de indícios ou pistas nas próprias falas. Mas a dialogicidade é inexistente. Os signos serviriam como ferramentas de decodificação, mas a metáfora do “deserto” funciona perfeitamente. O envolvimento de Giuliana com o engenheiro Corrado Zeller (Richard Harris) poderia ajudá-la a curar sua quase esquizofrenia, se ele, ao contrário das aparências, não fosse uma espécie de aventureiro que, a cada tempestade, foge para as localidades mais seguras. Assim, mesmo conseguindo compreender parte daquela mulher mais do que o próprio marido Ugo (Carlo Chionetti), os diálogos entre ambos, tal como as observações, carecem de instrumentos que contribuam para o conhecimento de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A autorreferência é uma constante nas obras de Antonioni. Além das evidentes analogias entre &lt;em&gt;A Aventura&lt;/em&gt; (1960), &lt;em&gt;A Noite&lt;/em&gt; (1961) e &lt;em&gt;O Eclipse&lt;/em&gt; (1962) – que compõem uma trilogia -, O Deserto Vermelho, seu primeiro filme colorido, remete-nos à película de 1957, &lt;em&gt;O Grito&lt;/em&gt;. Em meio a um encontro burguês regado de vinho e de lascívia, uma das participantes ouve um grito que, a princípio, viera de uma embarcação. Apesar de todos discordarem, Giuliana também ouve o grito e, repentinamente, o devaneio volta a acometê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não sou contra o mundo moderno. O mundo industrial simboliza um pouco o progresso e não se pode ser contra o progresso. Ademais, seria inútil. Mas eu penso que o progresso seja algo inexorável, como uma revolução: eventualmente há quem sofra, mas há quem se adapte e há quem não se adapte, o que resulta, claro, em crises”, afirmara Antonioni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A misantropia de Giuliana é antagônica à necessidade que ela tem de conviver com o outro. Giuliana é o avesso do progesso. Giuliana é a crise, é a dissonância da homogeneidade que se alastra com a globalização. Neste sentido, Antonioni descreve – e até certo ponto prevê – as vicissitudes do mundo pós-moderno, no qual a individualidade é exaltada em detrimento do coletivo e o vazio (o deserto) da existência humana é preenchido com simulacros. Embora, em algum lugar, o vermelho continue a pulsar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-1984167909936713827?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=1984167909936713827' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/1984167909936713827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/1984167909936713827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2009/06/de-michelangelo-antonioni-o-deserto.html' title='De Michelangelo Antonioni, O Deserto Vermelho (Il Deserto Rosso, 1964)'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SjpSpfK_CAI/AAAAAAAAAMc/HkpUbxGVks4/s72-c/105274.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-8311378935607214287</id><published>2009-05-21T06:27:00.000-07:00</published><updated>2009-06-03T05:24:07.517-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Duas doses antes de morrer</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/Sh_3rCkC20I/AAAAAAAAAKY/BV7SOI-DWqM/s1600-h/tequila.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5341260001879186242" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 158px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/Sh_3rCkC20I/AAAAAAAAAKY/BV7SOI-DWqM/s200/tequila.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estávamos, meu porco e eu, caminhando pelo calçadão de Copacabana. Ele fazendo suas necessidades fisiológicas; eu olhando às bundinhas &lt;em&gt;made in Brazil&lt;/em&gt; das moças, tentando discernir o que era feito pelo artesão do que era feito pelo operário. Enquanto os meus olhos percorriam as pernas cativantes de uma morena, uma senhora, dessas que se exercitam nas hidroginásticas da orla, vestida num biquíni de estampa felina, ameaçou-me com um olhar fulminante, como se eu estivesse tragando um cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu vou te denunciar para a OMS! Você não lê jornal? – gritou, estridentemente, a senhora com corpinho de 71 e trejeitos de 17.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem entender por que cargas d´água fui submetido à tamanha agressão, resolvi tomar um banho de mar. De repente, um rapaz, que provavelmente não descendia dos australopithecus - pois não possuía nem uma grama de pelugem, embora algumas madeixas oxigenadas pendessem sobre à sua cabeça -, avançou, com a quilha cortante da sua prancha de &lt;em&gt;surfing&lt;/em&gt;, para o focinho do meu porco. Ia chamá-lo de vegetariano recalcado quando, num átimo, brotaram das profundezas do mar meia dúzia de bermudas hawaianas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de me desvencilhar daquela tribo contemporânea, cujo vernáculo haviam assassinado, acreditei que merecia uma cerveja. Mas, logo em seguida, o dono do quiosque me fez desacreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Amigo, hoje estamos com uma boa promoção. Se você tomar duas doses de tequila, ganha uma porção de bolinho de bacalhau. – disse-me.&lt;br /&gt;– Quantos bolinhos? – perguntei.&lt;br /&gt;– São oito bolinhos, deste tamanho, no capricho.&lt;br /&gt;– A tequila é prata ou ouro?&lt;br /&gt;– É a melhor tequila da América Latina! – desconversou o mulato inzoneiro. – Veio diretamente do México.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava demasiadamente aturdido para fazer maiores questionamentos. Pedi duas doses, pois não acreditei que oito bolinhos saciariam o meu apetite. O quiosque estava razoavelmente cheio. Na mesa ao lado, uma mulher falava no celular:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Amorzinho, já comprou a máscara antigripe suína e o aparelho de choque do Alvinho? – intimou a inquisidora. – Querido, eu não quero te pressionar, mas não se esqueça (sua pele clara ganhou um tom rubro) que TODOS os amiguinhos do nosso filho estão muito bem preparados para o século XXI!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O monólogo repentinamente cessou. O marido deve ter perdido o sinal. Quando mal terminei de digerir aquele diálogo involuntário, o garçom trouxe o meu pedido. Gostaria de ter feito um brinde ao meu suíno, Roche, que fora deportado do epicentro da milésima crise do sistema de capital, porque, segundo as autoridades, imigrou ilegalmente, mas o Marcelo Rezende, ao aparecer na TV com a sua voz fúnebre, despertou a minha atenção:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– A Organização Mundial da Saúde decretou, pela primeira vez na história da humanidade, pandemia global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquelas palavras desestruturaram-me. A hecatombe era inevitável. E nem Marx, nem Mãe Dinah previram esse fim lastimável. No entanto, os meios de comunicação noticiaram. Olhei para o meu porco; ele me interrogava com os seus olhos de desterrado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O que foi feito de Vera?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sabia a resposta. Sabia que não havia escapatória. Antes de morrer, tomei as duas últimas doses latino-americanas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-8311378935607214287?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=8311378935607214287' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/8311378935607214287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/8311378935607214287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2009/05/duas-doses-antes-de-morrer.html' title='Duas doses antes de morrer'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/Sh_3rCkC20I/AAAAAAAAAKY/BV7SOI-DWqM/s72-c/tequila.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-6237068309779760158</id><published>2009-03-22T16:41:00.000-07:00</published><updated>2009-06-03T08:59:40.182-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>De José Cândido de Carvalho, Porque Lulu Bergantim não atravessou o Rubicon (1971)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/ScbOQhChDuI/AAAAAAAAAKA/tz5XsTZemSU/s1600-h/josecandido_lulu.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316163193299603170" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 149px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/ScbOQhChDuI/AAAAAAAAAKA/tz5XsTZemSU/s320/josecandido_lulu.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Porque Lulu Bergantim não atravessou o Rubicon&lt;/em&gt; é o título estúrdio de um livro primoroso. Na verdade, é o nome dado a última narrativa dessa obra cujos 150 &lt;em&gt;contados, astuciados, sucedidos e acontecidos do povinho do Brasil&lt;/em&gt; (continuação do título) constituem o que de mais elucidativo se tem sobre a cultura brasileira. Se Sérgio Buarque, Manuel Bomfim, Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro não conseguiram responder todos os questionamentos a respeito da formação histórica do país, é através de José Cândido de Carvalho (1914-1989) que se compreende, efetivamente, as peculiaridades dessa aquarela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“As páginas cotidianas de José Cândido de Carvalho reunidas em volume constituirão sem dúvida uma das mais ricas contribuições literárias à nossa humorística, da fixação do patusco, do bufo, do fundo histriônico de uma população julgada macambúzia, enfadada, deprimida”, elogiara o amigo Gilberto Amado. É provável que o leitor tenha dificuldades em distinguir, em termos estruturais, o que os olhos veem (ou leem). Contudo, o indefinível, neste caso, é justamente o ponto de convergência e semelhança entre sujeito e objeto de análise. Assim, não é de se estranhar que, simultaneamente, o trágico e o cômico estejam presentes nas mesmas anedotas, como neste trecho: “Aquilo é que era educação! A gente largava a palmatória na meninada de sair verbos e gerúndios pela ponta dos dedos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José cândido de Carvalho, embora tenha escrito poucos livros, atuou em diversas áreas – inclusive como funcionário público (profissão que ironiza em inúmeros contos) no Departamento Nacional do Café, onde ficou pouco tempo. Mas foi ao Jornalismo que dedicou a maior parte da vida. Na década de 1930, exerceu a função de redator e colaborador em diversos periódicos de Campos (sua terra natal), e, em 1942, convidado por Amaral Peixoto, então interventor no estado do Rio de Janeiro, dirigiu O Estado, na cidade de Niterói. Eleito em 23 de maio de 1973 para a Cadeira nº 31, sucedendo a Cassiano Ricardo, foi recebido em 10 de setembro de 1974 pelo acadêmico Herberto Sales na Academia Brasileira de Letras. Entretanto, o reconhecimento de sua obra viera antes, com as inúmeras premiações do romance &lt;em&gt;O Coronel e o Lobisomem&lt;/em&gt; (1964) – escrito 25 anos depois de ter publicado o primeiro livro, &lt;em&gt;Olha para o céu, Frederico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;De fato, a originalidade de sua obra não está somente na criação de lugares e personagens (qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência), no estilo irônico ou no humor. Encontra-se, outrossim, na junção de todos estes elementos que, utilizados de forma correta, delineiam as picuinhas e mesquinharias, a mediocridade e, paradoxalmente, as grandezas dessa Pátria amada. “Esse tempo não foi feito para mim. Um dia não vai haver mais azul, não vai haver mais pássaros e rosas. Vão trocar o sabiá pelo computador. Estou certo que esse monstro, feito de mil astúcias e mil ferrinhos, não leva em consideração o canto do galo nem o brotar das madrugadas. Um mundo assim, primo, não está mais por conta de Deus. Já está agindo por contar própria”, dissera o autor, em 1970. Ao que tudo indica, ele estava certo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte de pesquisa:&lt;/em&gt; &lt;a href="http://www.releituras.com/index.asp"&gt;http://www.releituras.com/index.asp&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-6237068309779760158?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=6237068309779760158' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/6237068309779760158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/6237068309779760158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2009/03/de-jose-candido-de-carvalho-porque-lulu.html' title='De José Cândido de Carvalho, Porque Lulu Bergantim não atravessou o Rubicon (1971)'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/ScbOQhChDuI/AAAAAAAAAKA/tz5XsTZemSU/s72-c/josecandido_lulu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-3312973429948674127</id><published>2009-02-15T10:32:00.000-08:00</published><updated>2009-05-19T10:52:24.079-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>Nelson Cavaquinho - Depoimento de Poeta (1974)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SZhf9C8-DWI/AAAAAAAAAJ4/NSKalGwaMzI/s1600-h/Nelson%2BCavaquinho%2B-%2BDepoimento%2Bdo%2BPoeta%2B(1970)-image014.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303094063598013794" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 196px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SZhf9C8-DWI/AAAAAAAAAJ4/NSKalGwaMzI/s200/Nelson%2BCavaquinho%2B-%2BDepoimento%2Bdo%2BPoeta%2B(1970)-image014.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não há perdão para os pecados cometidos contra a cultura de um país. A violação ocorre tanto pela absorção exacerbada de elementos estrangeiros que, quando incapazes de dialogar com a cultura nativa, fomentam uma relação parasitária e opressora, como pelo simples desdém para com os grandes artífices desse berço esplêndido. É lamentável - para não mencionarmos uma extensa lista - que compositores do porte de Cartola (1908-1980) e Nelson Cavaquinho (1911-1986) tenham gravado, tardiamente, seus primeiros discos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noel Rosa, contemporâneo de ambos e vítima da tuberculose aos 27 anos, deixou mais de 200 canções gravadas! Algumas, inclusive, compostas em parceria com um dos fundadores da Estação Primeira de Mangueira, o já mencionado Angenor de Oliveira - Cartola. Mas, como bem nos alertou o Maestro Soberano (Tom Jobim), “nosso mais-que-perfeito está desfeito e o que me parecia tão direito caiu desse jeito sem perdão”. Segue abaixo o texto que fora escrito pelo jornalista e pesquisador Sérgio Cabral na contracapa da edição de 1974 do primeiro LP gravado por Nelson Cavaquinho, nosso poeta maldito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Este foi o primeiro LP gravado por Nelson Cavaquinho. Foi uma idéia audaciosa de Paulo Cesar Costa produzir um disco com a voz desse genial compositor – uma voz que até então fora utilizada apenas nas cantorias de mesa de bar, em shows e em pequenas intervenções em discos gravados por outros cantores. Foi um disco tratado com muito carinho mas que, por razões exclusivamente empresariais, não teve a menor repercussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Continental fez muito bem em relançar em 1974 um disco gravado em 1970. Trata-se de uma gravação praticamente inédita e, ao mesmo tempo, maravilhosa. Aqui, vocês ouvirão a voz, as melodias e as letras de (não é modo de falar, não. É verdade) um gênio. A obra de um cara que não sofre da neurose da forma, da neurose do sucesso, da neurose da sobrevivência profissional. De um artista puro e integral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E além disso, este LP contém diálogos de Nelson Cavaquinho com a escritora Eneida de Morais. Vocês ouvirão, portanto, a voz da inesquecível Eneida, uma das melhores figuras humanas que já conheci e uma intelectual que deu muito à cultura do nosso país. Nelson Cavaquinho conversa também com a nossa querida Elizeth Cardoso, com Oswald Sargentelli e com o locutor que vos fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda querem mais? Pois neste disco vocês ouvirão o flautista Altamiro Carrilho melhor do que nunca. Um Altamiro que reúne a sua magnífica técnica de instrumentista com uma grande paixão pelo que está fazendo. Prestem atenção, por exemplo, na sua participação em &lt;em&gt;Degraus da Vida.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E, como dizia a velha canção, melhor que isso não podemos lhe dar. Só o céu e as estrelas. Mas Nelson Cavaquinho está perto disso”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-3312973429948674127?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=3312973429948674127' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/3312973429948674127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/3312973429948674127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2009/02/nelson-cavaquinho-depoimento-de-poeta_15.html' title='Nelson Cavaquinho - Depoimento de Poeta (1974)'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SZhf9C8-DWI/AAAAAAAAAJ4/NSKalGwaMzI/s72-c/Nelson%2BCavaquinho%2B-%2BDepoimento%2Bdo%2BPoeta%2B(1970)-image014.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-2354416241702706199</id><published>2009-01-29T14:18:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T17:26:10.135-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>De Machado de Assis, Quincas Borba (1891)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SYItOPwUk7I/AAAAAAAAAJY/3CqM64PKHtM/s1600-h/20850.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296845834511750066" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 234px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SYItOPwUk7I/AAAAAAAAAJY/3CqM64PKHtM/s320/20850.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto o filósofo Quincas Borba explica ao amigo Rubião o porquê do cão chamar-se Quincas Borba, Machado de Assis dá o tom desta engenhosa narrativa. Seria de se suspeitar da sanidade mental de um homem senil que credita seu “dote” – ou “lote” - e sua imortalidade ao cão (desprovido de razão, é claro) e que, ainda por cima, diz: “Viverei perpetuamente no meu grande livro. Os que, porém, não souberem ler chamarão Quincas Borba ao cachorro, e...”. Todavia, o caro leitor, antes de engendrar-se pelas linhas machadianas, deve duvidar da própria racionalidade; menos pela loucura que pela complexidade das personagens inseridas, interna e externamente, neste romance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É provável que Rubião contentar-se-ia com pouco, mas sua fidedigna amizade rendeu-lhe frutos mais adocicados: tornara-se herdeiro universal do falecido Quincas Borba. A única exigência era cuidar do pobre cachorro, tarefa nada árdua para o nosso amigo (como o narrador refere-se a Rubião, e um dos recursos estilísticos utilizados por Machado para estabelecer comunicação com o leitor), tendo em vista os benefícios que lhe traria, exceto pelo fato de, amiúde, o olhar do animal aparentemente assemelhar-se com o do antigo dono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de morrer, Quincas Borba tentara lhe ensinar sua doutrina filosófica, denominada &lt;em&gt;Humanitas&lt;/em&gt;, resumida no seguinte aforismo: “Ao vencedor, as batatas”. Deixemos que nos esclareça o próprio pensador: “(...) Há nas coisas todas certa substância recôndita e idêntica, um princípio único, universal, eterno, comum, indivisível e indestrutível. (...) Assim lhe chamo porque resumo o universo, e o universo é o homem”. Não cabe aqui expor minuciosamente tal concepção, embora possamos adiantar que, compreendendo-a ou não, Rubião passou a repeti-la como lema, grito de guerra ou coisa que o valha. De ex-professor à classe abastada da noite pro dia. De fato, mesmo que não desconfiasse da generosidade do amigo, surpreendera-se com as artimanhas do destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, na primeira oportunidade, mudara-se de Minas para o Rio (onde se encontrava a Corte). Talvez com o intuito de aproximar-se dos grandes acontecimentos políticos e culturais do país. Durante a viagem, eis que surge o trunfo machadiano, a &lt;em&gt;persona&lt;/em&gt; feminina encarnada na bela Sofia. É interessante notar que, tanto nos primeiros romances quanto nos de sua fase madura, a mulher ganha ares de esfinge, instigando o narrador, o personagem masculino e o leitor a decifrá-la; inserindo-os, dessa forma, no jogo da sedução. Esta, segundo o sociólogo frances Jean Baudrillard, “é algo que se apodera de todos os prazeres, de todos os afetos e representações, que se apodera dos próprios sonhos para convertê-los em algo diferente de seu desenrolar primário, um jogo mais agudo e sutil cuja aposta já não tem fim nem origem, seja o de uma pulsão, seja a de um desejo” (Da Sedução, p.142). Nosso amigo não resistirá aos encantos dos “mais belos olhos do mundo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas obras de Machado todos os pormenores são de suma importância para a composição da trama. Ao analisarmos os nomes das personagens, por exemplo, verificamos a existência de elementos essenciais à decodificação da mensagem. O substantivo feminino &lt;em&gt;palha&lt;/em&gt;, nome do marido de Sofia, consta nos dicionários qual “o colmo seco das gramíneas despojadas dos grãos”. Já o sentido figurado denota magistralmente o caráter deste burguês, que ganha o apreço de Rubião: “insignificância; qualquer coisa vistosa mais de pouco valor”. A palavra filosofia é de origem grega (&lt;em&gt;philos&lt;/em&gt; = amigo ou que ama; &lt;em&gt;sophia&lt;/em&gt; = sabedoria) e em seu sentido estrito designa um tipo de especulação. Ora, se a fulgurante Sofia representa o saber - o que é almejado pelo filósofo (amante da sabedoria) - e se Rubião, além de amigo, pretende tornar-se seu amante, nós temos, nessa relação, a construção da dialética platônica, na qual se sobe progressivamente do plano instável e obscuro até o plano das “idéias”, da “essência” ou da “verdade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, à medida que o devaneio provocado pela fervorosa paixão toma-o de forma avassaladora, Rubião mergulha nas profundezas da ignorância, pois desconhece a si mesmo. Evidentemente, fora o corolário previsto pelo amigo Quincas Borba. Porque, como bem observara em sua parábola, “as batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância (...). A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rubião tivera os instrumentos materiais necessários para galgar os degraus do conhecimento, mas faltou-lhe a perspicácia e a sapiência dos filósofos. Desde que fora felicitado com a notícia da herança, o ócio passou a ser seu fiel companheiro. As relações de interesse, seja político ou econômico, instauradas durante o período de prosperidade, esfacelaram-se junto com o sonho de possuir (não como cônjuge, mas como amante) Sofia, cujos fascistas artifícios de sedução também contribuíram para a derrocada de Rubião. O cão, atrelado a todos os estados de espírito do dono, sucumbira após a morte do nosso amigo. A batalha fora travada, porém não houvera combatente. E, embora a artilharia não tenha sido utilizada, o grito de guerra, no último suspiro, ainda ecoara pelas ruas de Minas Gerais: “Ao vencedor, as batatas”. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-2354416241702706199?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=2354416241702706199' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/2354416241702706199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/2354416241702706199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2009/01/de-machado-de-assis-quincas-borba-1891.html' title='De Machado de Assis, Quincas Borba (1891)'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SYItOPwUk7I/AAAAAAAAAJY/3CqM64PKHtM/s72-c/20850.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-2991371755251221102</id><published>2008-12-26T13:31:00.000-08:00</published><updated>2008-12-27T08:23:43.615-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia'/><title type='text'>A Morte e nós, reles mortais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Assim como o início ou princípio de todas as coisas, os filósofos também tentaram desvendar a grande esfinge da História da civilização: a morte. Se nós, reles mortais, não somos deuses, findamos um dia. Estamos à mercê da vontade do deus Thanatos. Mas, se tudo é passageiro, então qual é o verdadeiro sentido da vida? Segundo o cristianismo, a vida terrestre é uma fase pela qual temos que passar antes de chegarmos ao paraíso prometido. Este é um bom consolo para os espíritos impassíveis. Contudo, a inquietude, a “admiração” e o “espanto” (aquilo que os gregos denominaram &lt;em&gt;thauma&lt;/em&gt;) sempre habitaram a mente dos grandes pensadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, a vida, apesar do caráter mutável dos fenômenos, é indestrutívelmente poderosa e cheia de alegria. Por outro lado, Heidegger, estudioso das concepções nietzschianas, acredita que “o sentimento de angústia ou de medo profundo, situação na qual se antecipa a possibilidade da morte, é uma das ocasiões em que se oferece a oportunidade de se romper com o jeito impessoal de se viver no mundo”. No filme &lt;em&gt;O Sétimo Selo&lt;/em&gt; (1957), de Ingmar Bergman, o protagonista desafia a morte para uma partida de xadrez. Mas, mesmo vencendo o embate, ela continua a persegui-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cantor Gilberto Gil compôs, em seu mais recente disco, &lt;em&gt;Banda Larga Cordel&lt;/em&gt;, uma canção chamada &lt;em&gt;Não Tenho Medo da Morte&lt;/em&gt;. Na segunda estrofe, numa tentativa de compreender ou adquirir a autoconsciência (principal finalidade da dialética socrática) e, conseqüentemente, fugir da contemplação, ele reitera o que havia dito na primeira: “A morte já é depois/ Já não haverá ninguém/ Como eu aqui agora/ Pensando sobre o além/ Já não haverá o além/ O além já será então/ Não terei pé nem cabeça/ Nem fígado, nem pulmão/ Como poderei ter medo/ Se não terei coração?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo semelhante fora dito pelo filósofo grego Epicuro (341-270 a.C): “A morte não é nada que diga respeito a nós”. Diferentemente da vida que permite, além de analisá-la, presenciar o “ato de viver” – a redundância é proposital -, na morte somente o “ato de morrer” do outro nos é permitido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte, fomentadora da intempérie e guardiã do sofrimento, nós tememos. No entanto, é ela quem nos desnuda e nos mostra que, diante de sua soberania, somos todos iguais, de carne e osso. Durante a vida vivemos em conflitos internos e externos, sucumbimos e damos importâncias a algumas mesquinharias e, talvez pelos olhos estarem embotados de imagens insossas, CO2 e dogmatismos, não enxergamos o horizonte que existe para além de nós mesmos. Se Sócrates aqui estivesse, provavelmente diria: “Oh, pobres mortais, por que acreditam que tudo sabem quando nada sabem?”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-2991371755251221102?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=2991371755251221102' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/2991371755251221102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/2991371755251221102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2008/12/morte-ns-reles-mortais.html' title='A Morte e nós, reles mortais'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-7765689047995010994</id><published>2008-11-23T05:00:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T17:12:43.984-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>O Aparecer Feminino</title><content type='html'>(à Aline Lessa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da timidez brotou a coragem. O momento era inevitável. Ah, quem dera pudéssemos decidir quando e onde! Se assim o fosse, talvez amenizássemos nossas dores. O sofrimento, não. Este é opcional, diria o poeta. É interessante notar que, paradoxalmente, aqueles cujas escolhas direcionam-se para tal sentimento, são os mesmos vorazes consumidores de ungüentos. Os velhos industriais alquimistas agradecem. Mas, enfim, estávamos falando de um acanhado rapaz. Naquele ínterim, entre o espanto e o rubro rosto com espinhas, enquanto o suor involuntário escorria por debaixo da blusa branca do colégio, Federico nasceu. Sim, ele estava com 17 anos, mas era um nascimento diferente. A única semelhança com o parto é a passagem da escuridão do útero à luz do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondera à pergunta da menina meneando a cabeça e levantando o queixo, conforme a situação exigia. Ele sabia falar, porém nenhuma frase, oração ou palavra saíra de sua boca. Nem os melhores fonoaudiólogos saberiam explicar o porquê dessa mudez repentina. O amigo leitor deve estar se perguntando: “O que havia de tão impactante na mensagem para deixar o receptor – Federico – entrevado? Quem é essa emissora?”. Sinto lhe informar, mas o conteúdo da conversa mantivera-se na trivialidade da vida. Agora, a menina, nada tinha de comum; pelo contrário, era a beleza mais estonteante e pura que ele havia visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois daquele dia, seus dias passaram a ser somente dias e as horas, seu insolente algoz. A imagem de Anêli refletia incansavelmente no espelho da mente. Seus enormes olhos lambuzavam a esverdeada íris de Federico tal qual a doçura do caramelo. Sua pele, de um branco gentil, recebera o pigmento das nuvens em seu estado &lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt;. Seu corpo, desabrochando-se, revelara o que nunca haverá de ser revelado e que fora fomentado pelos diferentes povos que aportaram em terras brasileiras. Seria humanamente impossível dividi-la, separando parte por parte, pois cada pedaço era responsável pela totalidade daquela mulher. E no entanto, se alguém perguntasse a Federico sobre o seu futuro, ele responderia: “Serei seu eterno tradutor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coitado, mal sabia que estava engendrando-se pelas tortuosas trilhas da paixão e que, se a percorresse até o final – não falo do findar da chama –, chegaria ao amor. Da luta à ditadura e desta à utopia. Ora, essa é a vida, apesar dos covardes, apressados e indolentes sempre preferirem pular algumas etapas. Não, não quero ofendê-lo, pois sei o quanto lhe custa ler estas míseras linhas, querido leitor. Mas não posso conter-me em adiar o singelo desfecho desta estória que vos conto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Federico sentia-se como uma panela de pressão prestes a explodir, indo do teto ao fogão, provocando a verdadeira explosão atlântica. Uma angústia dilacerante o acometia constantemente. Alguns amigos, preocupados com o seu estado psíquico, levaram-no a uma festa insossa onde conheceu três garotas. A primeira perguntou: “Qual é o seu nome?”. “Anêli”, ele respondeu. A segunda perguntou: “O que você faz?”. “Anêli, Anêli”, ele respondeu embasbacado. A terceira afirmou: “Estou afim de você”. Ele perguntou: “Anêli, Anêli, Anêli?”. E ela o respondeu com um tapa na cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega, não posso mais ser cúmplice de tamanha atrocidade, nem o pior dos homens merece tanto açoitamento. Preciso achar um culpado, alguém (ir) responsável pelos acontecimentos aqui narrados. Dessa forma, aleatoriamente, culpo Tales de Mileto. Por quê? Porque se, ao invés da água, ele tivesse escolhido a mulher como o princípio de todas as coisas, Federico não precisaria estar na pele dos heróis trágicos. Saberia que os raios do sol são apenas finas linhas brilhosas comparados à fulgurante luz da mulher. A mulher é o centro do universo. Por ela um homem faz moto-contínuo. Quero deixar bem claro que não estou levantando bandeira feminista – até porque sou do sexo oposto –, partidária ou qualquer coisa que o valha, e não tenho românticas pretensões. Estou apenas tentando contar um caso nada estúrdio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Federico não sabia por que, mas alguma voz interior havia lhe dado um sinal de alerta. Precisava agir. Saiu de casa com a certeza de estar segurando - na mão molhada de suor frio - a única e última chance. As regras eram simples: não gaguejar; não tremer; não correr e, principalmente, não chorar. Sim, homem também chora. Contudo, em frente à divindade feminina, o macho deve-se portar como uma fortaleza, impermeável ao Cavalo de Tróia. Ah, vãs teorias! Anêli estava parada, risonha, mais bela do que qualquer outra flor. Federico, impávido, deu oito passos ao destino, balbuciou meia dúzia de palavras sufocadas e encostou seus trêmulos lábios na boca com formato de coração. Aconteceu! Se nós – reles mortais - tivéssemos ouvido as sábias palavras de Drummond, beijaríamos mais, e mais, e mais...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-7765689047995010994?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=7765689047995010994' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/7765689047995010994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/7765689047995010994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2008/11/o-aparecer-feminino.html' title='O Aparecer Feminino'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-3693091048999328055</id><published>2008-11-09T07:56:00.000-08:00</published><updated>2009-07-11T12:01:04.703-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>De José Saramago, A Caverna (2000)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SRcKsm6crSI/AAAAAAAAAIU/Ygv5gbfFMsQ/s1600-h/caverna.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266690050709302562" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 130px; CURSOR: hand; HEIGHT: 195px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SRcKsm6crSI/AAAAAAAAAIU/Ygv5gbfFMsQ/s320/caverna.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após ter ganho o Nobel de Literatura de 1998, o escritor português José Saramago havia feito uma aposta consigo: terminar um livro antes da virada do milênio. Conseguiu. &lt;em&gt;A Caverna&lt;/em&gt; (2000) fechou, com &lt;em&gt;Ensaio Sobre a Cegueira&lt;/em&gt; (1995) e &lt;em&gt;Todos os Nomes&lt;/em&gt; (1998) - lançados pela Companhia das Letras -, uma “trilogia involuntária”. Ao percorrer suas 350 páginas, o leitor depara-se, assim como nos anteriores, com um estilo menos expansivo, menos “barroco”, porém mais direto e sóbrio. “Eles são o que chamo a diferença entre a estátua e a pedra. Diria que ao contemplarmos a estátua, não estamos a pensar na pedra que está para além da superfície trabalhada pelo escultor. Agora, já não é a estátua que me interessa, mas a pedra que a faz.”. (Visão, 26/10/00)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O oleiro Cipriano Algor vive em uma aldeia com a filha Marta e com o genro Marçal Gacho. Seu trabalho é artesanal, primitivo, permiti-lhe utilizar todas as características e qualidades necessárias ao processo de manufatura. O barro é a matéria prima; as mãos, seu instrumento de labuta. Marta possui a sapiência de uma filósofa, tem grandes idéias e utiliza a racionalidade para a resolução de questões. Ela ajuda o pai na olaria, mas sabe que essa profissão não irá durar por muito tempo. Marçal espera ser promovido a guarda residente, carreira que lhe proporcionará, além do aumento salarial, uma moradia no Centro. A viúva Isaura Estudiosa – ou Madruga, como é conhecida posteriormente – e Achado – um cão com características humanas - completam o quadro de personagens dessa trama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escrita peculiar de Saramago pode provocar estranheza aos que principiam em sua obra. Com parágrafos demasiado extensos e a supressão do travessão nos diálogos – segundo ele, para dar mais dinamismo -, o autor busca um estilo conveniente à sua formação intelectual, que seja capaz de transmitir suas perspectivas e questionamentos de um mundo em contínua transformação. O narrador de &lt;em&gt;A Caverna &lt;/em&gt;é onisciente, ele sabe e revela os sentimentos e pensamentos mais íntimos das personagens. Embora esta descrição seja feita minuciosamente, tornando cada gesto relevante para que possamos vivenciar e conhecer a realidade desses indivíduos ao longo do romance, o espaço (localidade, cenários) e as fisionomias são postas em segundo plano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante anos Cipriano Algor mantivera relações comerciais com o Centro, um lugar onde todos os desejos de consumo podem ser realizados. No entanto, seus produtos não atendem mais às necessidades do mercado, tornaram-se perecíveis, sem o devido valor de uso. Agora, ao invés do rústico barro, os consumidores buscam tigelas e cântaros de plástico. A solução encontrada por Marta é a fabricação de bonecos de barro. O Centro gosta da idéia e faz uma encomenda de duzentas estatuetas de cada personagem: o bobo, o palhaço, o assírio de barba, o esquimó, o mandarim e a enfermeira, todos encontrados em um velho almanaque. A Olaria Algor precisará adquirir novas técnicas e novos instrumentos para a produção em larga escala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente da caverna de Platão, de onde é necessário sair para encontrar a luz, na alegoria de Saramago é preciso entrar na escuridão, fazendo o movimento inverso ao proposto pelo filósofo. Em ambas o que há é ilusão, simulacro e aparência. Todavia, para Saramago, só conseguiremos um novo rumo se constatarmos o nosso fim. Diante do desenvolvimento tecnológico e da ascensão de um capitalismo globalizado, submetemo-nos à perniciosa lógica do mercado, na qual tudo é perecível e facilmente substituível. As verdadeiras necessidades dão lugar às forjadas; as relações interpessoais, relegadas em prol da tecnocracia. &lt;em&gt;A Caverna&lt;/em&gt; é um triste retrato do mundo contemporâneo, mas, acima de tudo, um alento para refletirmos sobre o caminho que queremos traçar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-3693091048999328055?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=3693091048999328055' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/3693091048999328055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/3693091048999328055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2008/11/caverna-de-jos-saramago-2000.html' title='De José Saramago, A Caverna (2000)'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SRcKsm6crSI/AAAAAAAAAIU/Ygv5gbfFMsQ/s72-c/caverna.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-4927972004782386381</id><published>2008-11-02T07:14:00.000-08:00</published><updated>2009-01-29T14:15:37.450-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>De Charlie Chaplin, Luzes da Cidade (City Lights, 1931)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SQ3FDB0dHnI/AAAAAAAAAIM/X3-CmH_IifA/s1600-h/Luzes_da_Cidade_1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264080195284704882" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 144px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SQ3FDB0dHnI/AAAAAAAAAIM/X3-CmH_IifA/s200/Luzes_da_Cidade_1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde que os irmãos Lumière inventaram o cinematógrafo, em 1895, até a era do digital, inúmeros artífices surgiram na história do cinema: diretores, roteiristas, atrizes, atores e todos os indivíduos necessários à construção de um filme. No entanto, poucos conseguiram deixar sua marca. Charlie Chaplin é uma rara exceção. O gênio imprescindível da sétima arte morreu aos 88 anos, deixando um vasto legado. &lt;em&gt;Luzes da Cidade&lt;/em&gt; (1931) destaca-se pela naturalidade, beleza e pelos inconfundíveis sons deste filme mudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vagabundo Carlitos (Chaplin) caminha pelas ruas da cidade, sem rumo ou objetivo. Seu jeito peculiar provoca o escárnio dos vendedores de jornal. A sociedade olha-o obliquamente, mas ele não se importa. Porque seu coração guarda o mundo dentro de si. Viver é preciso. Assim, entre trapalhadas e passos desajeitados, encontra uma florista cega (Virginia Cherrill). À bela jovem, Carlitos concede o descompassado coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em muitas obras, Chaplin demonstra-se preocupado com os problemas sociais, como em &lt;em&gt;Tempos Modernos&lt;/em&gt; (1936) ou em &lt;em&gt;O Grande Ditador&lt;/em&gt; (1940). Nessa película, apesar de não tocar tão veemente na questão, insere, de forma cômica, algumas críticas. Ao impedir o suicídio de um excêntrico milionário (Harry Myers), Carlitos é visto como a redenção daquele capitalista. Contudo, quando a embriaguez cessa, a amizade termina. E ele volta a ser apenas a escória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor entre Carlitos e a florista aumenta à medida que ela sente a bondade inerente àquele vagabundo. Ela acredita que ele é um homem rico quando, na verdade, trabalha arduamente para ajudá-la: consegue um emprego, mas é demitido, entra numa luta de boxe, mas é nocauteado. Lendo o jornal, descobre que um médico havia encontrado a cura da cegueira, e fará de tudo para conseguir o dinheiro necessário. A seqüência final, infelizmente, assemelha-se à realidade. Carlitos é preso, acusado de roubo, enquanto os verdadeiros ladrões estão foragidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Luzes da Cidade&lt;/em&gt; possui uma narrativa singela, porém belíssima. A trilha sonora – assim como a direção e o roteiro – fora feita pelo próprio Chaplin. Depois de sofrer todas as concessões na prisão, a alma errante emerge da escuridão. Carlitos, coberto com farrapos, encontra-se com a florista. Embora ela possa enxergar, somente o reconhece quando toca a sua mão. Tudo é clarividente, todos os sentidos estão voltados àquele momento. A música é o complemento do silêncio. Essa certamente é uma das cenas mais comoventes do cinema. Criada pelo inesquecível Charlie Chaplin.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-4927972004782386381?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=4927972004782386381' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/4927972004782386381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/4927972004782386381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2008/11/luzes-da-cidade-de-charlie-chaplin-city.html' title='De Charlie Chaplin, Luzes da Cidade (City Lights, 1931)'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SQ3FDB0dHnI/AAAAAAAAAIM/X3-CmH_IifA/s72-c/Luzes_da_Cidade_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-2326093515585101875</id><published>2008-10-31T06:08:00.000-07:00</published><updated>2008-11-01T14:39:04.140-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Entre o céu e a terra, poeira e lodo ou realidade bandida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O primeiro tapa na cara nós nunca esquecemos. Mas um soco é sempre um soco. Dependendo da força e da precisão de quem o aplica, um soco pode ser duas, três... dez vezes maior do que um tapa. Joaquim – era um possível nome - conhecera o tapa, o soco e todas as outras formas de agressão geradas pela história da humanidade. Seu pai fora incumbido de lhe mostrar a vida, nua e crua. Essa era a ordem natural das coisas. Mas Joaquim estava longe, muito longe, desesperadamente longe da Verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele encontrava-se sobre a terra e sob o céu. Não havia naquela matéria qualquer impulso de vida, brilho ou coisa que o valha. Era somente poeira e lodo. Não estou falando da morte, pois a luxúria é um pecado e, para cometê-la, é necessário consciência e, para tê-la, é preciso ser gente. Nossa personagem, cuja semelhança não é mera coincidência, não compreendia, nem tentava compreender, o porquê de ser/estar. Sabia, no entanto, da necessidade de (sobre)viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menor Abandonado – ou Moleque de Rua, como agora o chamavam – fazia parte de um grupo: as estatísticas. Elas oscilavam para cima ou para baixo, numa doentia montanha-russa. Constantemente a velocidade da subida provocava uma insuportável náusea, mas poucos conseguiam vomitar. E, mesmo que alguém tentasse frear tal engrenagem, os esforços eram vãos, porque as poucas-poderosas-mãos sempre estavam presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sol de 40 graus, é quase impossível discernir o certo e o errado, o justo e o injusto. Raciocinar é trabalho para Descartes, não para Menor Abandonado. Sendo assim, escolhera, sem autonomia, outra atividade. Violentara Fulano, Sicrano, Beltrana e uma tal de Sociedade que, por sua vez, o violentara sem que ele soubesse por que sofrera tanta violência. Mas, como havia dito, ele não queria compreender. Talvez, observando-o melhor, no âmago da matéria – sem chegar à substância –, o leitor possa descobrir sua função. Acho que tudo não passa de disfunção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se pudesse escolher o dia da caça, certamente não escolheria aquela chuvosa madrugada de verão. As sirenes compunham uma música ensurdecedora. Bandido – assim disseram os jornais – correra pelas vielas, ruas e encruzilhadas com homens e cães nos calcanhares. Escondera-se, tornara-se invisível por alguns segundos, mas de nada adiantara. As balas tinham o olfato apurado, e a realidade era bandida. Bandido era a Verdade, embora poucos soubessem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, chegara à praia. O tiro acertou um coração que nunca bateu. À gozação divina, ele sorrira. Porque aquele lugar glorioso pertencia somente aos desvalidos, e a ninguém mais. Com os olhos semicerrados, ouvia o sereno acalanto do mar e sentia os raios de sol que ameaçavam sair das nuvens. A brancura da areia maltratava a retina e absorvia todo o vermelho que ali insistia em repousar. Naquele instante, quem estivesse por perto ouviria um estranho murmúrio: era o pranto da alma. Cada lágrima encarregava-se de uma parte da matéria. Elas eram cúmplices, apesar do perene descompasso. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-2326093515585101875?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=2326093515585101875' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/2326093515585101875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/2326093515585101875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2008/10/entre-o-cu-e-terra-poeira-e-lodo-ou.html' title='Entre o céu e a terra, poeira e lodo ou realidade bandida'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-3157912696777580927</id><published>2008-10-21T19:14:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T06:11:17.728-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>O Funcionário Adamastor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao ouvir o som da flauta, naquela manhã, senti uma fisgada no peito. A sensação causou-me tanta angústia que, inconscientemente, desejei a morte. Há anos convivi diariamente com aquele suave som. Meu patrão, John, cujo nome fora inspirado no do presidente norte-americano assassinado, insistia em tocar a flauta. Para ele, era uma espécie de terapia que tornava o trabalho dos funcionários mais agradável. Acreditava estar influindo diretamente na produtividade e, conseqüentemente, no lucro da empresa. No entanto, sempre desconfiei de tais intenções. Sabia que, utilizada de outra forma, a flauta poderia ser um excelente instrumento de tortura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;John era do signo de Gêmeos. Seu humor assemelhava-se à volatilidade do mercado financeiro. Se o timão ganhasse, poderia dizer: “Bom dia, Adamastor. Como foi o fim de semana?”. E, entre risos e carícias, pediria que começássemos a trabalhar. Mas, se o seu superior o encostasse na parede: “O que está acontecendo aqui? Vocês estão com algum problema? Eu quero números!”. E, com os olhos esbugalhados, simularia um corte na garganta. Nós sabíamos que qualquer deslize resultaria numa rápida substituição. Mesmo as funcionárias, por quem tinha maior apreço, corriam esse risco. Toda tarde, depois de fornicar com elas, passava pela minha baia e dizia: “Esses instintos primitivos hão de me matar”. Eu não gostava de aforismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu trabalho consistia, na maior parte do tempo, em digitar Ctrl + c e Ctrl + v, ligar para os clientes e pesquisar coisas inúteis. Nada que um Chimpanzé não pudesse fazer. Com exceção de problemas nas cordas vocais, na vista, na audição, tendinites e câimbras, a função não exigia maior esforço. Às vezes ficávamos sem ter o que fazer, pois éramos eficientes. Mas o ócio não era bem visto pela empresa. O funcionário ocioso deveria ser desligado urgentemente. Então, começávamos a limpar o chão, para que a mais-valia relativa fosse executada pelo nosso patrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na empresa havia muitos rumores trágicos. A senhora responsável pelo almoxarifado trabalhava lá desde o primeiro dia. Sabia de todas as estórias e acontecimentos. Nos intervalos cronometrados, quando eu saía para fumar um cigarro, ela não hesitava em contá-las. Há dez anos, um funcionário se jogou do décimo quinto andar. O motivo? Ninguém nunca soube. Outro, com 36 anos, fez de refém a mulher que o traíra com o porteiro e, em seguida, deu um tiro contra a própria têmpora. Mas, entre tantos casos, o que me despertou maior curiosidade foi o da estagiária que virou um vegetal. Depois de 5 meses trabalhando ao som da flauta, Suzana ficou paralisada em sua cadeira, sem nenhuma reação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela manhã, tive um mau pressentimento. O silêncio das vozes entrelaçava-se com a batida dos teclados. Não se ouvia mais a leveza da repugnante flauta, mas o mórbido ritmo de uma canção fúnebre. Tudo parecia estar entrevado como Suzana, embora não parássemos de labutar. Decidi, contra a vontade do meu patrão, ir ao banheiro. Precisava lavar o rosto, olhar-me no espelho e encontrar alguma coisa. Nesse momento, invejei a onisciência da lua, sua capacidade de iluminar as trevas e, principalmente, sua delicadeza ao dar lugar ao sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí do banheiro e, antes que pudesse sentar-me em minha cadeira, John gritou: “Adamastor, preciso falar com você”. Meu sangue ferveu. Lembrei dos Lusíadas e pensei que a vida é tão misteriosa quanto previsível. Caminhei até ele com a respiração ofegante. As palavras começaram a jorrar como projéteis em meu peito. Fiquei atordoado. Era o fim, sabia desde o início que era o fim. De repente, quando dei por mim, estava com as mãos modeladas no pescoço de John, não havia como soltar: eram meus instintos primitivos rogando por uma revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu era um Chimpanzé. Demorei a descobrir isso. Quando vi o reflexo da minha imagem, acordei de um sono acomodado. Toda a apatia sumira e a inércia transformara-se em movimento. A luz, enfim, estava sobre mim. Sem maltratar ou ofuscar os meus olhos, apenas iluminando o meu caminho. E, apesar dos pesares, sempre tive a consciência de que John foi um instrumento necessário. Talvez, sem a sua presença, não haveria como me libertar da prisão da imbecilidade. No fundo, eu sentia uma profunda condolência pelo fato dele ser humano. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-3157912696777580927?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=3157912696777580927' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/3157912696777580927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/3157912696777580927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2008/10/o-funcionrio-adamastor.html' title='O Funcionário Adamastor'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-8645628381076029996</id><published>2008-09-27T20:50:00.000-07:00</published><updated>2009-06-29T07:12:00.611-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>Trópicos de vanguarda: 40 anos de pão e circo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SQy43EMYZAI/AAAAAAAAAGc/gSpIU_s_siU/s1600-h/tropicalia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5263785320647255042" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SQy43EMYZAI/AAAAAAAAAGc/gSpIU_s_siU/s200/tropicalia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No final da década de 1960 o mundo parecia explodir – ou implodir – a qualquer momento. A guerra do Vietnã despertara as consciências para os horrores de um conflito bélico; a Guerra Fria dividira o planeta; diversos países da América Latina estavam sob o poder de regimes ditatoriais; mulheres, negros e homossexuais lutavam pelo fim dos preconceitos; as artes clamavam por rupturas. Assim, vanguardas surgem em todas as partes e de formas diferentes, mas buscando algo em comum: mudança. No quadragésimo aniversário do disco-manifesto &lt;em&gt;Tropicália ou Panis et Circencis&lt;/em&gt;, são perceptíveis as transformações trazidas pelo movimento que abalou o Brasil. A rápida aparição do tropicalismo - como ficara conhecido - deixou sua marca na história do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O embrião do tropicalismo encontrava-se no Teatro Vila Velha, em Salvador. Ali estavam presentes, além dos idealizadores Caetano Veloso e Gilberto Gil, Tom Zé, Gal Costa e Maria Bethânia. Em 64, ao substituir Nara Leão no espetáculo Opinião, Bethânia havia ganho maior popularidade. E, apesar de não ter participado do movimento, fora ela quem incentivara o irmão, Caetano, a ouvir Roberto Carlos. “Quando chegou a hora do tropicalismo – em que vários estilos extrovertidos foram convocados, e o estilo &lt;em&gt;cool&lt;/em&gt; da bossa nova aparecia apenas eventualmente como um elemento a mais nas canções-colagens -, um dos seus primeiros anúncios foi feito por Bethânia, chamando-me a atenção para a “vitalidade” de Roberto Carlos”. (Verdade Tropical - Companhia das Letras)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele período, pós-bossa nova, tentava-se separar a música brasileira em dois grupos: nacionalistas, ligados à esquerda, e a Jovem Guarda. Descontentes com os rumos do país, tanto no âmbito artístico quanto no político, os tropicalistas posicionam-se frente a uma nova estética que fosse capaz de universalizar a linguagem da MPB (Música Popular Brasileira) e quebrar as barreiras vigentes. Incorporando guitarras elétricas, psicodelia, bossa, samba, rumba e muita ironia, o movimento contribuiu para a modernização da cultura nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nelson Motta, no jornal Última Hora, definiu o que chamou de “tropicalismo” da seguinte forma: “Assumir completamente tudo que a vida dos trópicos pode dar, sem preconceitos de ordem estética, sem cogitar de cafonice ou mau gosto, apenas vivendo a tropicalidade e o novo universo que ela encerra ainda desconhecido”. (A Cruzada Tropicalista, 05/02/1968). Um amigo de Caetano, que havia visto a exposição &lt;em&gt;Tropicália&lt;/em&gt;, do artista plástico Hélio Oiticica, sugeriu que a palavra fosse utilizada em sua nova canção. Depois de muito hesitar, o baiano aceitou a sugestão e a incluiu em seu segundo disco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre tantas manifestações artísticas, o filme &lt;em&gt;Terra em Transe&lt;/em&gt;, de Glauber Rocha, e a montagem da peça &lt;em&gt;O Rei da Vela&lt;/em&gt;, de Oswald de Andrade, por José Celso Martinês, foram de suma importância para o nascimento da Tropicália. “Se o tropicalismo se deveu em alguma medida a meus atos e minhas idéias, temos então de considerar como deflagrador do movimento o impacto que teve sobre mim o filme &lt;em&gt;Terra em Transe&lt;/em&gt;”. (Verdade Tropical). As obras da artista plástica Lygia Clark, as guitarras de Jimi Hendrix e a Utopia Antropofágica de Oswald de Andrade também influenciaram os jovens artífices.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a maior inspiração de Gil viera de uma temporada em Recife. Lá, além de conhecer as vanguardas locais, encantou-se com a Banda de Pífanos de Caruaru. Enquanto isso, Caetano conversava com amigos, como Augusto de Campos e José Agrippino, sobre o audacioso projeto, e compunha novas canções. Era a época dos grandes festivais. O programa anárquico do Chacrinha (Abelardo Barbosa) estava no ar. A contracultura norte-americana atraía milhares de jovens. A ditadura brasileira, instaurada com um golpe em 64, apertava o cerco contra a oposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma atitude provocativa, Caetano e Gil decidem deflagrar o tropicalismo no festival da TV Record de 1967. Caetano entra no palco acompanhado do grupo de rock argentino Beat Boys para apresentar "Alegria, Alegria", uma canção cheia de referências. E Gil, ao lado do músico erudito Rogério Duprat e dos Mutantes (Arnaldo Dias, Sérgio Dias e Rita Lee), toca "Domingo no Parque", concebida como um filme. No início, as guitarras e as roupas - sugeridas pelo produtor Guilherme Araújo - haviam provocado certo espanto, mas as canções logo caíram no gosto dos ouvintes. O primeiro ato fora concluído com êxito, restava saber o que viria depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano seguinte, o disco-manifesto &lt;em&gt;Tropicália ou Panis et Circencis&lt;/em&gt; foi concluído. Participaram, além dos já citados, os poetas Capinan e Torquato Neto, o produtor Manoel Bareinbein, o maestro Julio Medaglia, e a cantora Nara Leão. A capa do LP, assim como de outros discos do movimento, ficou a cargo do artista Rogério Duarte. O disco foi amado e odiado. Alguns intelectuais acreditavam que tudo não passava de &lt;em&gt;marketing&lt;/em&gt;; outros defendiam o movimento com unhas e dentes. Mas o fim do tropicalismo era inevitável. O regime militar percebeu que, por trás daquela alegoria, havia uma forte crítica à realidade brasileira. Em seguida, Gil e Caetano foram presos e exilados. Quarenta anos depois, fica evidente a necessidade de novas rupturas e, principalmente, novas utopias. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-8645628381076029996?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=8645628381076029996' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/8645628381076029996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/8645628381076029996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2008/09/trpicos-de-vanguarda-40-anos-de-po-e_27.html' title='Trópicos de vanguarda: 40 anos de pão e circo'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SQy43EMYZAI/AAAAAAAAAGc/gSpIU_s_siU/s72-c/tropicalia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-3360672308906551352</id><published>2008-08-08T14:48:00.001-07:00</published><updated>2009-07-01T08:22:44.832-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>De Glauber Rocha, Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SJy__uxAglI/AAAAAAAAAE8/gsr8D4MMibg/s1600-h/Deus+e+o+Diabo+(Poster).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232267968703922770" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SJy__uxAglI/AAAAAAAAAE8/gsr8D4MMibg/s200/Deus+e+o+Diabo+(Poster).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SJy_XlxIQDI/AAAAAAAAAE0/kEys9yu6KKI/s1600-h/Deus+e+o+Diabo+(Poster).jpg"&gt;&lt;/a&gt;A saga do sertão está marcada na cultura nacional. Escritores como Euclides da Cunha, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa e João Cabral de Melo Neto transcenderam a miséria nordestina para os quatro cantos do Brasil. Mostraram um berço esplêndido caquético e desdentado. A ferida, no entanto, ficou mais exposta com outra manifestação artística: o cinema. Com o mesmo ímpeto daqueles literatos, Glauber Rocha, em &lt;em&gt;Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964),&lt;/em&gt; revisou criticamente a realidade do Terceiro Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme fora visto e aclamado em vários países. As tentativas em rotulá-lo são falhas à medida que a ficção atua na complexidade do real. Literatura de cordel? Poesia? Violência? Dialética? Beleza? Sim, tudo isso. Glauber, na época com 23 anos, traduziu para a película as palavras esquecidas pelas veredas. “A origem de &lt;em&gt;Deus e o Diabo... &lt;/em&gt;é uma língua metafórica, a literatura de cordel. No Nordeste, os cegos, nos circos, nas feiras, nos teatros populares, começam uma história cantando: eu vou lhes contar uma história que é de verdade e de imaginação, ou então que é imaginação verdadeira. Toda minha formação foi feita nesse clima”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O argumento sintetiza fatos e personagens concretos da história brasileira. Manuel (Geraldo Del Rey) e Rosa (Yoná Magalhães) fogem dos maus-tratos do coronel e passam a acompanhar os seguidores de Sebastião. As promessas do líder religioso significam para os fiéis o fim das trevas, o fim da fome. Mas, antes de chegar à redenção, o sofrimento e as concessões são inevitáveis. Desse modo, imersos na ilusão, o casal passa da alienação material para a espiritual. O desvario cessa quando Rosa, ao presenciar o sacrifício de uma criança, assassina Sebastião. Neste momento, entra em cena Antonio das Mortes (Maurício do Valle).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma narrativa fragmentada e cortes abruptos em planos longos, &lt;em&gt;Deus e o Diabo... &lt;/em&gt;vai além da narrativa tradicional. A serviço dos latifundiários e da Igreja Católica, Antonio das Mortes extermina os seguidores de Sebastião e persegue de forma implacável o diabo loiro Corisco, companheiro de Lampião. A parir daí, Manuel e Rosa entram para o bando de Corisco, em busca de uma nova esperança. Nessa nova fuga, a caatinga e o sol escaldante tornam a empreitada cada vez mais penosa. Manuel, com os olhos embotados pelas duras terras, sucumbiria se não fosse Rosa. Assim, a mulher surge como a luz da verdade, a salvação e um novo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na tragédia do sertão não há heróis. Mas a relação entre explorador e explorado se perpetua no espaço e no tempo. Nas últimas cenas do filme, Antonio das Mortes mata e degola Corisco, o avesso do líder religioso. O Deus, representado por Sebastião, e o Diabo, por Corisco, estão mortos. Para Manuel e Rosa só resta fugir para o mar, longe das mazelas que os assola, longe da cruel realidade. "Nenhuma estatística pode informar a dimensão da pobreza. A pobreza é a carga autodestrutiva máxima de cada homem." &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-3360672308906551352?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=3360672308906551352' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/3360672308906551352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/3360672308906551352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2008/08/deus-e-o-diabo-na-terra-do-sol.html' title='De Glauber Rocha, Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SJy__uxAglI/AAAAAAAAAE8/gsr8D4MMibg/s72-c/Deus+e+o+Diabo+(Poster).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-2486867272813902233</id><published>2008-08-07T13:48:00.000-07:00</published><updated>2009-10-10T21:05:19.856-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Releituras de um Golpe Militar</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SJtgCVbqCYI/AAAAAAAAAEs/16yILUx6s68/s1600-h/arquivo01_f2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Ministério da Justiça organizou, no dia 31 de Julho, uma audiência pública cujo tema principal não agradou às Forças Armadas: os crimes de tortura durante a ditadura militar. O evento, intitulado "Limites e Possibilidades para a Responsabilização Jurídica dos Agentes Violadores de Direitos Humanos durante Estado de Exceção no Brasil", reuniu ministros, advogados e representantes de entidades da sociedade civil. Embora esta seja uma tentativa de fortalecer a democracia brasileira, os militares e a imprensa insistem na hipótese do revanchismo de esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente de outros países da América Latina, que também passaram por governos ditatoriais, o Brasil optou por uma transição pacífica para a democracia. Em 1979, o general João Batista Figueiredo (1979-1985) sancionou a Lei de Anistia, dando continuidade ao processo de abertura política “lenta, gradual e segura” iniciada no governo do general Ernesto Geisel (1974-1979). A anistia brasileira perdoou tanto os opositores que haviam sido torturados ou mortos, como os militares e torturadores. Dessa forma, cobrindo com lençóis camuflados o sangue derramado, o Brasil mostrou que a impunidade estava arraigada em sua História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ministros Tarso Genro (Justiça) e Paulo Vannucch (Direitos Humanos) defendem a punição dos torturadores: “O Brasil precisa saber o que aconteceu. Precisa saber que o [Wladimir] Herzog e o Rubens Paiva não desapareceram, foram presos e assassinados pelo aparelho de repressão. Não fazemos isso em enfrentamento, mas em defesa das Forças Armadas", afirmou Vannucch. Alguns representantes das Forças armadas, no entanto, como publicou o jornal &lt;em&gt;O Estado de S. Paulo&lt;/em&gt;, irão se articular para rebater as críticas. Esta é a primeira vez, desde a redemocratização, que os militares se organizam para uma ação política de confronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que está no cerne da discussão não é a revisão da Lei de Anistia, como ratificaram os ministros, mas o desmascaramento de um acontecimento que marcou profundamente o País. É preciso separar torturados de oportunistas (muitos estão recebendo indenizações milionárias) e torturadores de militares que não são responsáveis por nenhum tipo de crime. Mas aqueles que violaram os direitos humanos merecem, senão punidos, ser reconhecidos pela sociedade. O Brasil precisa olhar para sua verdadeira face, pois a fictícia ameaça se desfigurar a qualquer momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas décadas depois do fim da ditadura brasileira, é interessante notar (e preocupante) como há setores da sociedade que olham para trás com certo saudosismo. Hipnotizados pela ilusão do “milagre econômico”, surdos pelos tiros de fuzil e cegos pelo sangue jorrado, preferem acreditar que outrora o Brasil era um país decente. Contudo, esquecem que pagaram um preço alto pela “segurança nacional”. Hoje, está longe da perfeição, caminhando a passos curtos. Caso decida pela revisão crítica de sua história, dará um grande salto rumo à construção de um Brasil mais justo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-2486867272813902233?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=2486867272813902233' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/2486867272813902233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/2486867272813902233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2008/08/brasil-mostra-sua-cara.html' title='Releituras de um Golpe Militar'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-1656808900094225154</id><published>2008-07-26T15:06:00.000-07:00</published><updated>2009-10-10T21:20:45.492-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Uma relação de amor e ódio</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SIul3LVYLvI/AAAAAAAAAEc/KRkDonh4yuo/s1600-h/futebol.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O sistema caiu, os computadores pararam de funcionar: uma ótima oportunidade para se reavivar as relações interpessoais. Assim, meus companheiros de estágio e eu fomos para a área de fumantes (quase ninguém fuma). Enquanto a conversa, prosa, papo ou troca de idéias se engendrava por várias veredas, eu já aguardava ansioso pelo tema principal: o futebol. Mesmo não gostando de tal modalidade esportiva, é inegável o prazer que tenho em observar as discussões futebolísticas. Tudo estava indo muito bem, até que perceberam meu mórbido silêncio: “O que você acha disso?”, interrogaram-me ironicamente, pois sabem o quanto sou hostil ao esporte. De repente, um outro mais indignado tentou me persuadir com argumentos quase fascistas: “Você é brasileiro, carioca, homem, por que não gosta de futebol?”. Respondi de forma fascista: “Você gosta de jiló?”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando eu nasci, o futebol já era a paixão nacional; o Brasil era Tricampeão da Copa do Mundo; Pelé havia se aposentado e Garrincha havia morrido. Acho que, no dia do batismo, a criança tinha o dever de escolher um time. Na falta de opção, escolhi o Vasco da Gama, time do meu pai. Este, sempre assistia aos jogos, gritava, ficava feliz e irritado. Mas seu "amor" pela camisa não era o mesmo do meu tio flamenguista. Camisa, bermuda, sandália, boné, camisinha, tatuagem, tudo representava o Flamengo. Talvez este fanatismo possa ser explicado pela psicologia das cores vermelha e preta. O futebol estava - e está - em todos os cantos. Na escola, durante as aulas de Educação Física, se não houvesse uma partidinha, os alunos se rebelavam contra a instituição de ensino. Como achava demasiado enfadonho ter que optar entre futebol, vôlei ou basquete, preferia tentar convencer o porteiro a me deixar sair da escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na infância, entrei, junto com meu irmão, em uma Escolinha de Futebol. Eu era brasileiro, todos veneravam o futebol, respiravam futebol, transavam pensando em futebol; não era possível, tinha que gostar de futebol. Até porque, mesmo tendo certeza de minha sexualidade, logo iria ser chamado de gay ou alienígena. Nessa escolinha, vivi experiências assustadoras. Faltava-me habilidade, precisão e jeito com a bola. Tinha que escolher entre ficar no gol ou no banco. Escolhia o primeiro, pois era persistente. Durante os jogos, pais e mães enfurecidas bradavam para que seus futuros craques fizessem a jogada certa. Infelizmente, meus pais não eram assim. Do contrário, teriam presenciado a elegante jogada que fiz ao bater com a cara na trave. O técnico e o time, é óbvio, jogaram-me na fogueira.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em uma das poucas conversas que tive com o pai da minha namorada, ele me perguntou: “Você gosta de jogar futebol?”. Respondi que não. Pronto, virei um monstro. Voltando à conversa (o sistema ainda não havia voltado. Mau para a empresa; bom para o futebol). Depois de ter respondido, com uma pergunta, a pergunta do meu colega, o papo voltou a fervilhar. Percebi que o verbo odiar estava sendo conjugado por quase todos que ali estavam: “Eu odeio aquele jogador!”; “Aquele locutor é um idiota!”; “Eles se odeiam”. Percebi que no futebol, como num relacionamento, há uma dissonância entre o amor e o ódio. O esporte mexe com as emoções, com os sentimentos daqueles que o apreciam. Perguntei-me qual era a diferença daquela conversa para uma que tivesse como tema principal a novela ou o BBB. Não achei nenhuma. Ambas envolvem desde a criação de estereótipos e preconceitos, até a passividade acrítica dos indivíduos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu poderia falar que o futebol não é mais o mesmo dos tempos áureos. Mas não sei quando foram esses tempos. Poderia dizer que não gosto, e ponto. Mas assim, estaria compactuando com os argumentos infundados que impregnam tais conversas. Prefiro acreditar que esta é mais uma questão complexa, que não será respondida pela lógica binária. Por que apreciamos determinada música? Por que gostamos daquele tipo de comida? Por que alguém nos atrai? O meio e a cultura em que estamos inseridos podem responder, talvez, uma parcela destas perguntas. Quanto à outra, somente a idiossincrasia, a subjetividade, as particularidades e, quem sabe, o DNA de cada um de nós responderá. Somos brasileiros, sim; mas, acima de tudo, somos seres humanos e heterogêneos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-1656808900094225154?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=1656808900094225154' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/1656808900094225154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/1656808900094225154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2008/07/futebol-uma-relao-de-amor-e-dio.html' title='Uma relação de amor e ódio'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-5988007135147896094</id><published>2008-06-29T06:54:00.000-07:00</published><updated>2009-06-03T09:02:55.755-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Glauber Rocha (1939-1981)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SGeU4fKKwaI/AAAAAAAAAEE/CZakMu1K3_o/s1600-h/Glauber+Rocha+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5217302391489741218" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SGeU4fKKwaI/AAAAAAAAAEE/CZakMu1K3_o/s320/Glauber+Rocha+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No ano de 1939, a ditadura de Getúlio Vargas, o Estado Novo, completava dois anos. O governo criara o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), órgão responsável pela censura, e a democracia estava longe de ser uma realidade brasileira. Mas, enquanto o populismo de Vargas se perpetuava, a Baía de Todos os Santos dava a luz. No dia 14 de março, em Vitória da Conquista, Bahia, os olhos de Glauber de Andrade Rocha se abriam para o mundo. O nome do primeiro filho de Adamastor Bráulio Silva Rocha e Lúcia Mendes de Andrade Rocha fora inspirado no do cientista alemão Johann Rudolf Glauber (1603-68). Certamente, sua mãe não imaginava o impacto que este nome provocaria na cultura nacional.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alfabetizado pela mãe, Glauber entra para a escola aos sete anos. Apesar de ter cursado o primário num colégio católico, foi criado na religião de sua mãe, que era convertida ao presbiterianismo por ação de missionários americanos da Missão Brasil Central. Em 1947, enquanto acompanhava o pai nas viagens pelo sertão da Bahia, a chanchada dominava o cinema brasileiro com filmes populares e distribuição garantida. Neste ano, muda-se com a família para Salvador, e passa a estudar no Colégio 2 de Julho. Lá, escreve a peça de teatro “&lt;em&gt;El Hilito de Oro&lt;/em&gt;”, encenada pelo professor Josué de Castro e protagonizada pelo próprio Glauber que faz o papel de um príncipe espanhol. Assim, os primeiros passos foram dados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Além de Glauber, havia mais três irmãs: Ana Marcelina, Anecyr e, a mais nova, Ana Lúcia Mendes. A primeira morreu precocemente de leucemia, em 1952. Aos treze anos, Glauber participa como crítico de cinema, do programa “&lt;em&gt;Cinema em Close-Up&lt;/em&gt;”, na &lt;em&gt;Rádio Sociedade da Bahia&lt;/em&gt;. Um ano depois, Glauber escreve ao tio, Wilson Mendes de Andrade, revelando o desejo de ser escritor. Gostava de ler Jorge Amado, Érico Veríssimo, clássicos da literatura juvenil, filosofia (Nietzsche e Schopenhauer) e histórias em quadrinhos. O presidente Juscelino Kubitschek venceu as eleições em 1956. A partir daí, com os planos de desenvolvimento, o Brasil vive uma nova fase.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na Bahia, Glauber, Calasans Neto, Sante Scaldaferri, Luis Paulino, Zé Telles, Fernando da Rocha Peres, Fred Castro entre outros, fundam a &lt;em&gt;Cooperativa Cinematográfica Yemanjá&lt;/em&gt;. Como palavra de ordem, pixam nos muros da cidade: “Você acredita em Cinema na Bahia!”. Glauber conhece Milze Maria Soares, e Colabora no filme “&lt;em&gt;Um dia na Rampa&lt;/em&gt;”, curta-metragem de Luiz Paulino dos Santos rodado no Mercado Modelo de Salvador. Depois de viajar para o Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, retorna à Salvador e cursa Direito na &lt;em&gt;Universidade Federal da Bahia&lt;/em&gt; até o terceiro ano. Chamado por Ariovaldo Ma&amp;shy;tos, participa do jornal de esquerda “&lt;em&gt;O Momento&lt;/em&gt;”. Colabora nas revistas culturais &lt;em&gt;“Mapa”&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;“Ângulos”&lt;/em&gt; e no semanário &lt;em&gt;“Sete Dias”.&lt;/em&gt; Influenciado pelo concretismo, Glauber filma &lt;em&gt;“Pátio”,&lt;/em&gt; com Solon Barreto e Helena Ignez.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em 1959, passa a publicar artigos sobre cinema no &lt;em&gt;Jornal do Brasil&lt;/em&gt; e no &lt;em&gt;Diário de Notícias&lt;/em&gt;. Neste ano, casa-se com a atriz Helena Ignez e começa em Salvador a filmagem de seu segundo curta-metragem, o inacabado, &lt;em&gt;“Cruz na Praça&lt;/em&gt;”, baseado num conto de sua autoria, &lt;em&gt;"A Retreta na Praça",&lt;/em&gt; publicado no Panorama do conto baiano. Um ano depois, nasce sua primeira filha, Paloma de Melo e Silva Rocha. O jovem cineasta havia traçado seu caminho: finaliza &lt;em&gt;“Barravento”,&lt;/em&gt; com montagem de Nelson Pereira dos Santos, em 1961. O filme recebe o &lt;em&gt;Prêmio Opera Prima&lt;/em&gt; no &lt;em&gt;Festival de Cinema de Karlovy Vary&lt;/em&gt;, na então Tchecoslováquia. Nessa virada de década, uma série de jovens, vinda de vários lugares, propõe uma nova maneira de fazer cinema. Nasce, a parti daí, o Cinema Novo, e Glauber é um dos seus principais idealizadores.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Nosso cinema é novo porque o homem brasileiro é novo e a problemática do Brasil é nova e a nossa luz é nova e por isso nossos filmes nascem diferentes dos cinemas da Europa." Glauber pregava uma nova estética, uma revisão crítica da realidade. Depois do golpe militar de 1964, muitos tentaram o amordaçar. Em 1971, o cineasta parte para Nova York e inicia um exílio de cinco anos. Mas, mesmo longe, o artista dá continuidade aos seus projetos. O maior trauma de sua vida acontece em 1977: a morte da irmã, a atriz Anecyr Rocha que, aos 34 anos, caiu em um fosso de elevador.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O cineasta, assim como sua obra, pertencia ao mundo. Passou por Cuba, Paris, Roma, África entre outros lugares. Viveu por algum tempo em Sintra, cidade portuguesa, mas logo voltou para o Rio de Janeiro com um grave problema de saúde. No dia 22 de agosto de 1981, aos 42 anos, Glauber morreu vítima de septicemia, ou como foi declarado no atestado de óbito, de choque bacteriano, provocado por broncopneumonia que o atacava há mais de um mês. O corpo do cineasta foi velado no Parque Lage, cenário de &lt;em&gt;“Terra em Transe&lt;/em&gt;”, em clima de comoção e exaltação. Durante a cerimônia, entre amigos, familiares, jornalistas e admiradores, o antropólogo Darcy Ribeiro homeageou o artista: “Glauber Rocha nos deixou, como herança, sua indignação”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Glauber era amado e odiado, tanto pela esquerda quanto pela direita. Enquanto alguns filmes, como &lt;em&gt;“Deus e o Diabo na Terra do Sol",&lt;/em&gt; eram ovacionados, outros, como &lt;em&gt;“Câncer”,&lt;/em&gt; provocavam desconforto. “Sou um artista coletivista que está aberto; um anti-artista. Sou uma pessoa do povo. Sou um camponês de Vitória da Conquista. &lt;em&gt;'A Idade da Terra'&lt;/em&gt; seguirá o mesmo itinerário dos outros filmes, criará polêmica, será odiado, será adorado”. Glauber viveu intensamente cada dia da sua vida. Conheceu mulheres, viajou pelo mundo e fez o que quis fazer, filmou o que quis filmar. Sua arte não sofreu concessões. As idéias revolucionárias permaneceram em cada obra: são 20 filmes, ensaios e outros trabalhos, - todos reunidos no &lt;em&gt;Tempo Glauber&lt;/em&gt;, projeto de sua mãe e outros familiares. “Eu faço arte revolucionária e não arte panfletária. Eu vivo além dos partidos. Não me interessa a dogmática de nada”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte de pesquisa&lt;/em&gt;: &lt;a href="http://www.tempoglauber.com.br/"&gt;http://www.tempoglauber.com.br/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-5988007135147896094?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=5988007135147896094' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/5988007135147896094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/5988007135147896094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2008/06/glauber-rocha-1939-1981_4047.html' title='Glauber Rocha (1939-1981)'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SGeU4fKKwaI/AAAAAAAAAEE/CZakMu1K3_o/s72-c/Glauber+Rocha+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-5736397714547108593</id><published>2008-06-28T12:05:00.000-07:00</published><updated>2008-11-01T14:37:50.877-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Cinema Novo: por uma nova estética</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SQzLqFbPOpI/AAAAAAAAAH0/8BAoQOgJNw4/s1600-h/tdtdtdtd.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5263805988360632978" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 185px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SQzLqFbPOpI/AAAAAAAAAH0/8BAoQOgJNw4/s200/tdtdtdtd.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SQzIzDokZSI/AAAAAAAAAHs/fHNLH5TY8qg/s1600-h/tdtdtdtd.jpg"&gt;&lt;/a&gt;"No Brasil, o Cinema Novo é uma questão de verdade e não de fotografismo. Para nós, a câmera é um olho sobre o mundo, o &lt;em&gt;travelling&lt;/em&gt; é um instrumento de conhecimento, a montagem não é demagogia mas a pontuação do nosso ambicioso discurso sobre a realidade humana e social do Brasil!" (Glauber Rocha)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A insatisfação pode contribuir para gerar grandes idéias. Entre Congressos e discussões sobre os rumos do cinema brasileiro, surge, no final da década de 1950, um dos maiores movimentos cinematográficos do país: o Cinema Novo. Com a falência das grandes companhias cinematográficas paulistas, jovens cineastas vindo de vários lugares, com formações diferentes, mas com a mesma vontade de mudar a realidade, decidem lutar por uma nova estética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conceito central, “uma câmara na mão e uma idéia na cabeça”, contrariava os caríssimos e artificiais filmes da empresa Vera Cruz. O Cinema Novo queria revolucionar o cinema e a cultura nacional. Queria incorporar novas formas de linguagem para ir ao encontro da sociedade brasileira. Os primeiros longas-metragens surgem na Bahia: &lt;em&gt;A Grande Feira&lt;/em&gt;, de Roberto Pires, &lt;em&gt;Bahia de Todos os Santos&lt;/em&gt;, de Trigueirinho Neto e &lt;em&gt;Barravento&lt;/em&gt;, de Glauber Rocha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Rio de Janeiro, alguns jovens ligados ao CPC (Centro Popular de Cultura) da UNE (União Nacional dos Estudantes) decidem fazer um filme que deslanche o Cinema Novo na cidade. É &lt;em&gt;Cinco Vezes Favela&lt;/em&gt;, filme em cinco episódios dirigidos por Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Carlos Diegues, Miguel Borges e Marcos Farias. O filme &lt;em&gt;Rio 40 Graus&lt;/em&gt;, de Nelson Pereira dos Santos, também é um marco do movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os filmes brasileiros não se resumiam mais à chanchada. O Cinema Novo rompe com este gênero, busca uma nova concepção, um novo ideal. "O cinema é, antes de tudo, uma indústria, inclusive se é dirigido contra a indústria”, afirmara Glauber. No Festival de Cannes de 1964, &lt;a href="http://paisagemutil.blogspot.com/2008_08_01_archive.html"&gt;&lt;em&gt;Deus e o Diabo na Terra do Sol&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, de Glauber, e &lt;em&gt;Vidas Secas&lt;/em&gt;, de Nelson Pereira, despertam o interesse da imprensa européia, mesmo sem ganharem prêmios oficiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além dessa primeira fase, o Cinema Novo ganhou novos adeptos, em diferentes contextos. Destacam-se ainda, &lt;em&gt;Os Fuzis&lt;/em&gt;, de Ruy Guerra, e &lt;em&gt;Macunaíma&lt;/em&gt;, de Joaquim Pedro. Infelizmente, como todo projeto criativo do período, o Cinema Novo foi abortado pelo regime militar. Mas, décadas depois, tanto as películas como os cineastas continuam causando polêmica. Em busca de um cinema revolucionário, o Cinema Novo mostrou um Brasil esquecido, subdesenvolvido (o termo ainda era utilizado) e desigual. Um país que não estava nas telas dos cinemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A colonização não se racha em Hollywood que pode contratar vários diretores brasileiros para trabalhar. Mas o importante não é fazer carreira pessoal. Importante é ter consciência. O fundamental é lutar para libertar o mercado nacional." (Glauber Rocha)&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SQzAheBmfLI/AAAAAAAAAHM/K3flgOJngJY/s1600-h/tdtdtdtd.jpg"&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-5736397714547108593?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=5736397714547108593' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/5736397714547108593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/5736397714547108593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2008/06/no-brasil-o-cinema-novo-uma-questo-de_28.html' title='Cinema Novo: por uma nova estética'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SQzLqFbPOpI/AAAAAAAAAH0/8BAoQOgJNw4/s72-c/tdtdtdtd.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-8239598916364899439</id><published>2008-06-27T11:22:00.000-07:00</published><updated>2009-05-15T15:44:40.813-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>1968 - O Brasil de Glauber</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SGUwWBi8g4I/AAAAAAAAABc/3Io6ioH6GtI/s1600-h/1968.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5216628898308850562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SGUwWBi8g4I/AAAAAAAAABc/3Io6ioH6GtI/s320/1968.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Evandro&lt;/span&gt; Teixeira&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A comemoração do quadragésimo aniversário do emblemático ano de 1968 trouxe novos questionamentos para o século XXI. Embora a discussão esteja velada pelo tom nostálgico - como era de se esperar -, os acontecimentos devem ser analisados de forma crítica. Por que este ano se tornou tão significativo? Primeiramente, fora o ano em que diversos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;fenômenos&lt;/span&gt; sociais, políticos e culturais eclodiram pelos quatro cantos do planeta. Mas não foi só em 1968. Muitos fatos ocorreram em anos ou até décadas anteriores. A Revolução Cubana, em 1959, por exemplo, influenciou jovens de todo o mundo - como a juventude francesa, em maio de 1968. É nesse contexto histórico que surge o Cinema Novo e o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;polêmico&lt;/span&gt; cineasta brasileiro &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Glauber&lt;/span&gt; Rocha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, o mundo parecia compartilhar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;idéias&lt;/span&gt; e utopias muitas vezes híbridas. No Brasil, música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas interagiam, se moviam para um mesmo âmago, já que o contexto brasileiro era o mesmo para todas as artes: a ditadura militar. Os militares se instalaram no poder com um golpe em 1964 e no ano de 1968 decretaram o Ato Institucional N° 5. A partir daí, além do fechamento do Congresso Nacional, o país ficou sob uma forte onda de repressão e censura. No entanto, mesmo na escuridão, a cultura brasileira produziu obras de grande importância para o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na música, o movimento tropicalista, tendo como principais expoentes Caetano Veloso e Gilberto Gil, fora influenciado tanto por Beatles e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Jimi&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Hendrix&lt;/span&gt;, como por Roberto Carlos e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Glauber&lt;/span&gt; Rocha. “Se o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;tropicalismo&lt;/span&gt; se deveu em alguma medida a meus &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;atos&lt;/span&gt; e minhas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;idéias&lt;/span&gt;, temos então de considerar como deflagrador do movimento o impacto que teve sobre mim o filme &lt;em&gt;Terra em transe&lt;/em&gt;”, afirmou Caetano, em seu livro &lt;em&gt;Verdade Tropical&lt;/em&gt;. Esta película fora dirigida por &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Glauber&lt;/span&gt; em 1967, abordando, como nos filmes anteriores, temas referentes ao Brasil e ao então chamado Terceiro Mundo. O protagonista é um angustiado jornalista que se encontra em um fogo cruzado: de um lado, governos populistas e ideologias; do outro, políticos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;reacionários&lt;/span&gt; e a miséria do povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas três anos antes de &lt;em&gt;Terra em Transe&lt;/em&gt;, aos 23 anos, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;diretor&lt;/span&gt; baiano havia filmado sua obra prima: &lt;em&gt;Deus e o Diabo na Terra do Sol&lt;/em&gt;. Além de representar um marco para o cinema nacional, é uma dos filmes mais significativos do Cinema Novo. Com poucos recursos e uma mente que permanecia em contínuo processo de criação, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Glauber&lt;/span&gt; expôs temas centrais da realidade brasileira. As mazelas do sertão, o devaneio religioso e as contradições da vida são apresentados de forma violenta ao espectador. “O Cinema Novo é um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;projeto&lt;/span&gt; que se realiza na política da fome, e sofre, por isto mesmo, todas as fraquezas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;conseqüentes&lt;/span&gt; da sua existência”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano de 1968, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;Glauber&lt;/span&gt;, junto com o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;diretor&lt;/span&gt; Afonso Beato, tinha a pretensão de registrar o momento pelo qual o Brasil estava passando. Passeatas, manifestações e a opressão foram registradas, mas o filme não foi finalizado. “A repressão política e a falta de liberdade de expressão impediram a continuidade do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;projeto&lt;/span&gt;. Em fins de 1969, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Glauber&lt;/span&gt; e eu saímos do país”, afirmara Beato. O filme marco dos acontecimentos de 1968 ficou a cargo do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;diretor&lt;/span&gt; Rogério &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Sganzerla&lt;/span&gt;, com &lt;em&gt;O Bandido da Luz Vermelha&lt;/em&gt;. A obra de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;Glauber&lt;/span&gt; Rocha é um registro valioso do Brasil, da América Latina e do mundo. Com um olhar arrebatador, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;Glauber&lt;/span&gt; captou a realidade e o avesso. O Brasil de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;Glauber&lt;/span&gt; deve ser visto, revisto e construído. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-8239598916364899439?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=8239598916364899439' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/8239598916364899439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/8239598916364899439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2008/06/1968-o-brasil-de-glauber.html' title='1968 - O Brasil de Glauber'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SGUwWBi8g4I/AAAAAAAAABc/3Io6ioH6GtI/s72-c/1968.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-3798542428657873266</id><published>2008-05-14T10:33:00.000-07:00</published><updated>2009-10-10T21:10:18.298-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Um cárcere chamado Brasil</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SCskcxNQdkI/AAAAAAAAABU/FbZoeMndnoM/s1600-h/pag1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na colonização brasileira, como em outras colônias da América, a mão-de-obra escrava fora a escolhida. Com o respaldo da Igreja Católica, os índios deixam de servir a tais fins. Isto, contudo, não significa que passariam a viver em liberdade; até porque a Igreja, além do corpo, viu na alma um meio para se expurgar a excentricidade de tais povos. A solução encontrada pelos europeus, para suprir a falta de uma demanda que exercesse trabalhos subumanos, estava na África. Trazidos por traficantes, nos porões dos navios, os negros aportaram em um cárcere chamado Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enriquecimento de setores da Europa e, posteriormente, da elite brasileira se deu à custa da perniciosa política escravocrata. Desprovidos das necessidades básicas de qualquer ser humano, dormindo em senzalas imundas, úmidas, e muitas vezes acorrentados, os escravos recebiam o açoitamento como punição, caso não mantivessem o comportamento “adequado”, de acordo com a vontade do algoz. Além disso, eram proibidos de executar, manifestar e praticar qualquer tipo de ritual ou religião que não fossem os da cultura dominante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 13 de maio de 1888, o Brasil - com um atraso deplorável - decreta o fim da escravidão. Talvez, se não fossem as pressões da Inglaterra (visando os seus interesses), essa penosa realidade iria se perpetuar em terras brasileiras por mais alguns decênios, séculos! Embora seja considerada como a cura de todos os males, a Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel, serviu, somente, como estratégia para dar à população negra respaldo de libertação jurídica, pois o número de negros sob o regime escravocrata já havia diminuído drasticamente. Além de algumas leis anteriores (cobertas de igual cinismo), foram os próprios negros que lutaram pela sua liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As condições para se viver dignamente, o direito à igualdade, a garantia da terra e o reconhecimento da população negra, que não foram outorgados com a Lei Áurea, hoje, em pleno século XXI, fazem parte de uma utopia. Entre as inúmeras questões que acentuam tal problemática, três devem ser destacadas: 1º - o Brasil é essencialmente miscigenado; logo, não há nenhuma “raça pura”; 2º - as riquezas culturais provêm da junção de todos os povos que no Brasil estiveram; 3ª – enquanto a hipocrisia e o cinismo impregnarem as mentes, nenhuma mudança, considerável, ocorrerá. A dívida para com a população negra só contribui para o regresso do País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, reproduzo o que Machado de Assis, neto de escravos, havia escrito em uma de suas crônicas, no dia 19 de maio de 1888, seis dias após a assinatura da Lei Áurea:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“[...] toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha, pessoa dos seus dezoito anos, mais ou menos [...] e dei um jantar [...] no intuito de dar-lhe aspecto simbólico [...] Levantei-me eu com a taça de champanhe e declarei que acompanhando as idéias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas idéias e imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus, que os homens não podiam roubar sem pecado [...] Todos os lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. Caí na cadeira e não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que estão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-3798542428657873266?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=3798542428657873266' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/3798542428657873266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/3798542428657873266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2008/05/um-crcere-chamado-brasil.html' title='Um cárcere chamado Brasil'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-2275327547495113570</id><published>2008-05-10T11:51:00.000-07:00</published><updated>2009-10-10T21:20:12.546-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>O país da delicadeza perdida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SCXxz3VVXRI/AAAAAAAAAA0/WnZZozyafSM/s1600-h/getimage.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; FLOAT: right; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198827218198158610" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SCXxz3VVXRI/AAAAAAAAAA0/WnZZozyafSM/s200/getimage.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dia 29 de março, a menina Isabella Nardoni, de 5 anos, fora asfixiada e arremessada do 6º andar do apartamento do seu pai, Alexandre Nardoni, e da sua madrasta, Anna Carolina Jatobá. As especulações em torno do caso ganham diferentes matizes em diversos âmbitos da sociedade. No entanto, após um mês do assassinato, o caso parece estar longe de um desfecho. Nesse momento, de comoção nacional, nossas deficiências tornam-se mais nítidas, tanto no que diz respeito às estruturas jurídica, política e social, quanto no desenvolvimento de nossa cidadania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos anos, as tragédias brasileiras (como a do menino João Helio) têm adquirido um caráter “clichêrizado”, como se houvesse uma seqüência premeditada: 1º - morte trágica; 2º - circo midiático; 3º - indignação seguida de um excesso de fúria; 4º - confecções de camisas, “shows” e missa de 7º dia, com cobertura da mídia e 5º - amnésia, seguida de retardamento. Neste quadro surrealista, encaixa-se a perícia do caso Isabella e a nossa Constituição. A primeira, mesmo com um enorme aparato tecnológico, mostrou-se ineficaz: por que, logo após o assassinato, o apartamento não fora lacrado? Não sei. Quanto à segunda, é evidente a caduquice da legislação brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As feridas expostas mostram-nos, também, o modelo jornalístico escolhido pelos meios de comunicação. Nas bancas, jornais e revistas noticiam o caso diariamente como em um antigo folhetim, manchetes fazem o seu próprio julgamento: "Foram Eles" (capa da revista &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; – 23/04/08). Isso sem falar no frenesi da tevê brasileira, na busca do exclusivo, do grande furo. Entre articulistas e colunistas surgem novos “opinadores” na imprensa brasileira. O jornalista Artur Xexéu, por exemplo, em sua coluna no jornal &lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt;, mostrou-se perplexo diante dos fatos, mas manteve a imparcialidade diante da morte da menina de 5 anos. O cineasta, crítico e colunista Arnaldo Jabor, no entanto, usou o espaço (coluna) para praticar o mesmo julgamento dos demais meios de comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, a falência múltipla dos órgãos acomete todo o Brasil. Na falta de análises críticas e profundas, vivemos na lógica do absurdo. Neste caso, nem a imparcialidade do Xexéu, nem o julgamento do Jabor contribuíram para a saúde nacional. Nosso Jornalismo banha-se na superficialidade dos trópicos. A inércia brasileira não permite que a sociedade olhe para o passado; mas está longe de uma projeção voltada para o futuro. Perdemos a percepção, a delicadeza. Continuamos apáticos. E, enquanto assim estivermos, somos culpados.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-2275327547495113570?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=2275327547495113570' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/2275327547495113570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/2275327547495113570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2008/05/o-pas-da-delicadeza-perdida.html' title='O país da delicadeza perdida'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/SCXxz3VVXRI/AAAAAAAAAA0/WnZZozyafSM/s72-c/getimage.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-4932230374413037194</id><published>2008-04-03T19:00:00.000-07:00</published><updated>2009-07-14T06:23:44.132-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Rodrigo S.M, o Homem Nobre - de Clarice Lispector, A Hora da Estrela (1977)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/R_WNFlhIffI/AAAAAAAAAAc/KvtUhmE24Ck/s1600-h/CL.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185205673096936946" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/R_WNFlhIffI/AAAAAAAAAAc/KvtUhmE24Ck/s200/CL.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O enigma da existência e as veleidades do homem são marcas profundas da escrita de Clarice Lispector. &lt;em&gt;A Hora da Estrela&lt;/em&gt;, de 1977, seu último livro publicado em vida, é considerado pela crítica como o mais realista de sua vasta obra. A história da nordestina Macabéa traz à tona as mazelas de muitos brasileiros – uma realidade abordada com extrema competência por escritores como João Cabral de Melo Neto, em &lt;em&gt;Morte e Vida Severina&lt;/em&gt;, e Graciliano Ramos, em &lt;em&gt;Vidas Secas&lt;/em&gt;. Contudo, tratando-se de Clarice, um ponto de interrogação para ela mesma, o contexto social torna-se apenas um pretexto para se engendrar nas profundezas do ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo do livro, a história é escrita e narrada pelo seu auter-ego, Rodrigo S.M. Este explicita a dor, constrói a tortuosa trajetória e faz com que as lágrimas percorram a face maltratada de Macabéa. Mas é ele, também, que a faz sorrir. Rodrigo, além de criar uma personagem em cuja vida nada faz sentido, cria Olympico de Jesus, o avesso de Macabéa. Ambos nasceram nas duras terras do sertão, criaram-se no limbo e cresceram no lodo. Pode-se dizer que são &lt;em&gt;personas&lt;/em&gt; do autor/narrador e, sobretudo, de Clarice. Olympico, diferentemente de Macabéa, traz na carne a perversidade do homem, seja através da ganância ou da malícia, mas as duas personagens convergem para o âmago de um “homem nobre”, um indivíduo dionisíaco, segundo conceitos do filósofo alemão Friedrich Nietzsche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“O homem dionisíaco, que é em Nietzsche um sinônimo para homem trágico, é apresentado como aquele que vê que a vida, no fundo das coisas, apesar do caráter mutável dos fenômenos, é indestrutivelmente poderosa e cheia de alegria. Apesar, ou melhor, por causa do sofrimento inerente à vida, ele a afirma” (Brum, 1998, p. 75).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Esta afirmação da vida está presente no princípio e no fim de &lt;em&gt;A Hora da Estrela&lt;/em&gt; com a palavra que melhor a exemplifica: sim. Foi dizendo “sim” à sua Vontade de Potência que Clarice Lispector transgrediu a realidade e tornou-se transcendente, na medida em que suas obras ganhavam vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seu auter-ego, Rodrigo S.M, desmembra-se em personagens que constituem o seu eu. Assim, é evidente que o protagonista – quem agoniza em primeiro plano – é o próprio escritor. Macabéa, imersa em imagens oníricas e, aparentemente, cega a realidade, encarna a divindade de Apolo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Ele, segundo a raiz do nome o ‘resplendente’, a divindade da luz, reina também sobre a bela aparência do mundo interior da fantasia. A verdade superior, a perfeição desses estados, na sua contraposição com a realidade cotidiana tão lacunarmente inteligível” (Nietzsche, 2007, p. 26).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mas, além da pureza, Macabéa é, inconscientemente, uma mulher lasciva em seu íntimo, um lugar oculto para a própria nordestina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua obra &lt;em&gt;Além do Bem e do Mal&lt;/em&gt; (1886), Nietzsche afirma: “(...) No homem há matéria, fragmento, abundância, lodo, argila, absurdo, caos; mas no homem há também criador, escultor, dureza de martelo, deus-espectador e sétimo dia” (Nietzsche, 1992, p. 131-132).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o filósofo, a música é a forma artística mais elevada de celebrar a existência. Macabéa, ao ouvir uma canção no rádio chamada “Una Furtiva Lacrima”, chora pela primeira vez e celebra a vida que é inexoravelmente fugaz e paradoxal. A lágrima, assim como o gozo, é a expressão da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tanto estava viva que se mexeu devagar e acomodou o corpo em posição fetal (...). Aquela relutância em ceder, mas aquela vontade do grande abraço”. Estas palavras do narrador intensificam a vontade dionisíaca de afirmar a alegria de ter vivido, mesmo que na tragédia; a Vontade de Potência, na qual Rodrigo S.M encontra uma força maior para se viver em um mundo trágico, mas de beleza imensurável. Na hora da morte, como na vida, a estrela encontra a dissonância entre prazer e dor, torna-se frágil e heróica e continua a brilhar, resplandecer e embriagar o grande palco da existência. Clarice Lispector, seja na vida ou na morte, sempre será, segundo a hierarquia nietzschiana, uma aristocrata, um Homem Nobre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bibliografia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRUM, José Thomaz. &lt;em&gt;O Pessimismo e Suas Vontades&lt;/em&gt;. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.&lt;br /&gt;LISPECTOR, Clarice. &lt;em&gt;A Hora da Estrela&lt;/em&gt;. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.&lt;br /&gt;NIETZSCHE, Friedrich. &lt;em&gt;O Nascimento da Tragédia&lt;/em&gt;. Trad. J. Guinsburg. São Paulo: Companhia de Bolso, 2007.&lt;br /&gt;___________________. &lt;em&gt;Além do Bem e do Mal&lt;/em&gt;. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-4932230374413037194?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=4932230374413037194' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/4932230374413037194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/4932230374413037194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2008/04/rodrigo-sm-o-homem-nobre.html' title='Rodrigo S.M, o Homem Nobre - de Clarice Lispector, A Hora da Estrela (1977)'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/R_WNFlhIffI/AAAAAAAAAAc/KvtUhmE24Ck/s72-c/CL.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314177008701003473.post-2195823544028276814</id><published>2008-03-18T10:35:00.000-07:00</published><updated>2009-06-04T08:02:32.169-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>Vozes da América</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/R-RowlhIfeI/AAAAAAAAAAU/J2sHF9vt6l8/s1600-h/omara2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5180380655297002978" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/R-RowlhIfeI/AAAAAAAAAAU/J2sHF9vt6l8/s200/omara2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entre raízes africanas e européias, Brasil e Cuba celebram a beleza da América Latina nas vozes de Maria Bethânia e Omara Portuondo, duas veteranas consagradas pelo tempo e adoradas pela história. A idéia veio da brasileira que, em 2005, efetuou o convite à Omara, uma das grandes intérpretes do documentário &lt;em&gt;Buena Vista Social Club&lt;/em&gt; do realizador alemão Wim Wenders. O encontro resultou em um excelente disco, lançado pela gravadora Biscoito Fino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último sábado, 15, as duas encerraram a temporada carioca, numa noite chuvosa e emocionante. Para quem teve a oportunidade de ir ao Canecão, mesmo com o quase desdém por parte do público, que - não se contendo com os celulares, as conversas e as latas se abrindo – batiam palmas desnecessárias, semelhantes às dos extintos showmícios, a noite foi inesquecível na Cidade Maravilhosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No repertório, além de quase todas as músicas do disco, estavam canções de indubitável importância para se compreender a complexidade da música latina como manifestação cultural e beleza estética. A Abelha Rainha e Omara entram no palco com um grupo de músicos de extrema competência: arranjos, regência e violões, Jaime Alem e Swami Jr.; piano e acordeom, João Carlos Coutinho; baixo, Jorge Helder; percussão, Marcelo Costa, Andrés Coayo e Claudinho Brito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriram o espetáculo com &lt;em&gt;Cio da Terra (Milton Nascimento e Chico Buarque),&lt;/em&gt; que certamente traduz o significado do encontro. As composições de Chico Buarque aparecem em outros momentos: &lt;em&gt;Gente Humilde&lt;/em&gt;, composta com Vinicius de Moraes e Garoto; &lt;em&gt;Partido Alto&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;O Que&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Será? (À Flor da Terra).&lt;/em&gt; Esta, como parte do repertório, teve sua versão em espanhol cantada pela cubana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No decorrer da apresentação, nos é apresentado o resultado de uma vasta pesquisa musical, em ambos os territórios. Assim como as cantoras encontram semelhanças entre seus ancestrais, muitas são as canções que se mostram análogas. &lt;em&gt;Caipira de Fato (Adauto Santos)&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;El Amor de&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Mi Bohío (Julio Brito)&lt;/em&gt; são algumas delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve-se Luiz Gonzaga Jr. (Gonzaguinha) em dois momentos marcantes deste belíssimo encontro. O primeiro, Bethânia canta &lt;em&gt;Começaria Tudo Outra Vez&lt;/em&gt; (canção que vem acompanhando sua carreira); o segundo, para encerrar com a suavidade de duas rosas, Maria Bethânia e Omara Portuondo interpretam &lt;em&gt;Palabras (Marta Valdés)&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Palavras&lt;/em&gt; do eterno Gonzaguinha. No final, a sensação de que, apesar dos pesares, há muito que se comemorar na rica América Latina.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314177008701003473-2195823544028276814?l=paisagemutil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314177008701003473&amp;postID=2195823544028276814' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/2195823544028276814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314177008701003473/posts/default/2195823544028276814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paisagemutil.blogspot.com/2008/03/vozes-da-amrica.html' title='Vozes da América'/><author><name>Gabriel Tardelli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07154938802333655455</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hcxr05wZxo0/R-RowlhIfeI/AAAAAAAAAAU/J2sHF9vt6l8/s72-c/omara2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
